BRASÍLIA - O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli determinou o bloqueio de patrimônio do empresário Nelson Tanure em 6 de janeiro, em decisão que estava sob sigilo até a última sexta-feira, 16. Tanure foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na última quarta-feira, 14. A operação investiga supostas fraudes financeiras no Banco Master.
Na decisão, Toffoli, relator do caso Master na Corte, determinou o sequestro e o bloqueio de bens de 38 envolvidos em valores que podem chegar a R$ 5,77 bilhões. Com a autorização do Supremo, a PF também quebrou os sigilos bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades investigadas no caso do Banco Master, no período de 20 a 21 de outubro de 2025. A determinação atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
"Quanto a NELSON TANURE, a autoridade policial salientou que ele é apontado como o beneficiário final da LORMONT PARTICIPAÇÕES S.A., cujas CCBs de R$ 73,7 milhões concentraram 97% da carteira do FIDC MARANTA em operação entre partes relacionadas, é também assentado como sócio oculto do BANCO MÁSTER, exercendo influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas, razão pela qual o bloqueio do seu patrimônio deve ocorrer no mesmo volume daquele em relação a DANIEL VORCARO", escreveu Toffoli no único trecho da decisão que faz menção a Tanure.
De acordo com a decisão, a apuração aponta indícios da prática de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento de investidores em erro, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de capitais.
Quem é Nelson Tanure
O investidor Nelson Tanure, principal acionista da Gafisa, virou alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero devido à realização de operações financeiras usando fundos e corretoras ligadas ao Banco Master.
Em nota, a defesa de Tanure afirma que não tem "qualquer relação de natureza societária com o Banco Master, do qual foi cliente nos últimos anos". Diz ainda que "no decorrer das apurações promovidas pelo STF restará definitivamente demonstrada a inexistência de qualquer pretensa prática ilícita oriunda dessa relação".
Como mostrou o Estadão/Broadcast no ano passado, Tanure já era investigado desde 2024 pela PF por suspeitas de ser o controlador de fato do Master - o que ele nega. Oficialmente, o dono do banco é Daniel Vorcaro, que chegou a ser preso (e depois solto) em novembro após a liquidação da instituição pelo Banco Central.
Uma das transações financeiras de Tanure que chamaram a atenção dos investigadores diz respeito ao investimento da Gafisa no fundo imobiliário Brazil Realty, investigado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por fraude com o envolvimento de Vorcaro. A construtora chegou a ter R$ 325,6 milhões aplicados no Brazil Realty FII entre 2019 e 2022.
Os executivos ligados ao fundo foram acusados pela CVM de realizar operações fraudulentas com as cotas do Brazil Realty entre outubro de 2018 e março de 2020. Para os investigadores da Operação Compliance Zero, Vorcaro teria usado uma cadeia de diversos fundos de investimento para realizar operações financeiras fraudulentas, cujo objetivo final seria desviar recursos para si próprio e aliados.
O empresário baiano começou a investir na década de 1980. Seu estilo arrojado já lhe trouxe problemas no passado e desperta um misto de temor e admiração entre os agentes do mercado financeiro.