BRASÍLIA - O Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo do Distrito Federal, disse nesta segunda-feira que possui plena capacidade de recompor seu capital caso venham a ser confirmados "eventuais prejuízos de determinadas operações", sem mencionar a crise do Banco Master.
"Ademais, (o BRB) destaca que dispõe de plano de capital estruturado para cenários de estresse, o qual não foi acionado até o momento", diz o banco em nota.
Como mostrou a Coluna do Estadão, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cobrou prazos para o governo do DF realizar um aporte de R$ 4 bilhões no banco.
Haddad, que também preside o Conselho Monetário Nacional (CMN), acompanha as discussões no Banco Central, e segundo relatos feitos , em uma das conversas recentes, foi "enfático" sobre a necessidade de haver um estabelecimento de período para o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), definir o socorro ao banco estatal.
Após a publicação da reportagem, o Ministério da Fazenda disse que Haddad não tratou com o governo do DF ou com a direção do BRB sobre o caso. Mas não comentou sobre as discussões que teve com o Banco Central sobre o tema.
Ainda na nota desta segunda, o BRB afirmou que "não recebeu comunicação ou determinação específica de aporte de capital por parte do Banco Central do Brasil, ou qualquer outro órgão".
No entanto, na semana passada, o banco admitiu a possibilidade de aporte do governo do DF. "Caso seja confirmado possível prejuízo, o BRB já tem pronto um plano de capital que, entre as opções, prevê aporte direto do controlador, que já sinalizou com essa possibilidade, ou outros instrumentos que possibilitem a recomposição do capital do Banco", afirmou.
Em acareação no fim do ano passado no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente do banco estatal, Paulo Henrique Costa, afirmou que a instituição não conseguiu recuperar cerca de R$ 2 bilhões aportados no banco de Vorcaro antes que o Banco Central decretasse a liquidação extrajudicial da instituição privada em novembro. O BRB fez uma oferta para comprar parte do Master em março do ano passado, mas o negócio foi vetado pelo BC em setembro.
Agora, o banco estatal afirma que o número do rombo está em análise pelo Banco Central e por uma auditoria independente.
"O BRB informa que trabalha diariamente em conjunto com o Banco Central e esclarece que todas as operações mencionadas no âmbito da Operação Compliance Zero, que possam estar relacionadas ao Banco, estão incluídas na investigação forense independente conduzida pelo escritório Machado Meyer, com suporte técnico da Kroll", disse o banco.