Caso Master: 'É a primeira vez que estamos perseguindo magnatas da corrupção no País', diz Lula

Presidente afirmou que é preciso acabar com corrupção das 'classes altas' ou elas 'acabam com os pobres' durante evento para anunciar investimentos em saúde

9 fev 2026 - 18h43
(atualizado às 19h51)

BRASÍLIA E SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira, 9, que, com a investigação sobre a atuação do Banco Master, é a primeira vez que há uma "perseguição aos magnatas da corrupção do Brasil". A fala de Lula foi feita enquanto o governo tenta se desviar dos desdobramentos do escândalo bancário bilionário.

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"Vocês estão vendo a nossa briga com o tal do Banco Master. Estão vendo a briga desse banco aí que deu um desfalque de quase R$ 80 bilhões. É a primeira vez na história do Brasil que estamos perseguindo os magnatas da corrupção neste país", afirmou o presidente.

Lula também disse que é necessário acabar com a corrupção vinda "das classes poderosas". "(Ou) Acabamos com a corrupção das classes altas do País ou eles acabam com os pobres", disse.

No palanque, o governo endureceu o discurso contra o Master, colocando-se como um polo investigador das fraudes. Já nos bastidores, auxiliares de Lula minimizam o encontro que o presidente teve com o dono do banco, Daniel Vorcaro, e a existência de um contrato da empresa com o escritório de advocacia do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski.

Em discurso em cerimônia em Mauá (SP), Lula também voltou a dizer que é contra os jogos de azar. Segundo o presidente, as bets e os cassinos entraram na casa dos brasileiros.

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Lula participou na tarde desta segunda de um anúncio de investimentos nas áreas de saúde e educação no município de Mauá, que fica na Grande São Paulo. O governo assinou a aquisição e reforma do prédio do Campus Mauá do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), com investimento estimado de R$ 44,8 milhões por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Também foram destinados R$ 37,4 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS) do município.

Dólar e humor de Trump

Lula também afirmou nesta segunda-feira que o dólar tem oscilações devido ao humor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e não por questões relacionadas à economia brasileira. "Fico me perguntando: e o dólar que ia para R$ 7 e está em R$ 5,23? O dólar está oscilando porque depende do humor do Trump. Não depende de nós e não depende da seriedade da nossa economia", disse.

Criticando a política externa adotada pelo presidente norte-americano, Lula afirmou que não deseja seguir o preceito de impor poder sobre países mais fracos. Por outro lado, o petista disse que não aceita ser menor do que as duas maiores potências globais.

"O unilateralismo imposto pela teoria de que o mais forte pode tudo contra o mais fraco a nós não interessa. Eu não quero ter supremacia sobre o Uruguai, sobre a Bolívia. Mas também não quero ser menor que os Estados Unidos e que a China. Não estamos escolhendo entre a China e os Estados Unidos, estamos escolhendo aquilo que é o melhor para o nosso país", declarou Lula.

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Também sobre a crise com os Estados Unidos, deflagrada após o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros imposta em julho passado, Lula disse, em tom de brincadeira, que não interessa para o Brasil um conflito militar com os americanos.

"Se o Trump conhecesse o que que é a sanguinidade de Lampião num presidente, ele não ficaria provocando a gente (...). Não adianta ficar falando na televisão: eu tenho o maior navio de guerra, o maior submarino do mundo. Eu não quero briga com ele, eu sou doido? Vai que eu brigo e eu ganho. O que eu vou fazer?", disse o presidente.

Pela manhã, Lula visitou a sede do Instituto Butantan em São Paulo. O presidente anunciou R$ 1,8 bilhão em investimentos relacionados a infraestrutura e capacidade produtiva de vacinas e insumos biológicos.

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