BRASÍLIA - O Banco de Brasília (BRB) entregou ao Banco Central um plano de capital a ser implementado caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro na instituição após a crise envolvendo o Banco Master. Em nota à imprensa, o BRB confirmou a entrega, mas não detalhou as medidas descritas no documento.
Em nota oficial, o banco afirmou que são ações preventivas de recomposição a serem implementadas nos próximos 180 dias, mas só em caso de comprovação da necessidade de aporte.
Segundo apurou o Estadão, foram colocadas quatro opções na mesa: o governo do DF pegar um empréstimo com um consórcio de banco, um empréstimo com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a estruturação de um fundo com ativos imobiliários do DF e uma solução de mercado para as carteiras do Master compradas pelo BRB.
Nos três primeiros casos, há injeção de recursos do acionista no banco. Essas ações precisam ser aprovadas pela Câmara Legislativa do DF. Já a venda de ativos do Master teria o efeito de permitir ao BRB reverter provisões. Segundo apurou a reportagem, o mais provável é que haja um "mix" das alternativas.
Especialistas apontam que um dos pontos cruciais da estratégia do BRB é conseguir vender ativos sem deságio (desconto) ou com a menor perda possível. Como há necessidade de fazer caixa, é da natureza do setor bancário que os compradores tentem obter o menor preço de compra possível.
Se a venda ocorrer com um deságio muito grande, o efeito sobre o Índice de Basileia do BRB pode piorar. Esse é um dos principais indicadores de prudência bancária exigidos pelo Banco Central.
Em nota, o banco afirmou que os eventuais valores das ações preventivas somente serão definidos depois da conclusão das investigações em andamento.
Em depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que o BRB pode ter um buraco de R$ 5 bilhões no seu balanço em função das operações com o Master.
O objetivo do aporte pelo acionista é aumentar o patrimônio líquido do banco público (dinheiro dos donos dentro da instituição). O BRB precisa apresentar o balanço de 2025 até o dia 31 de março e quer soltar nessa data os números com a solução para os problemas criados com a operação com o Master.
Como revelou o Estadão, o BRB vendeu R$ 5 bilhões de ativos de alta qualidade para estancar a fuga de capitais após a liquidação do Master e a Operação Compliance Zero, que afastou o ex-presidente da instituição Paulo Henrique Costa por suspeitas de irregularidades. A venda ocorreu para fazer frente aos saques e reforçar a liquidez do banco estatal.
Nesta sexta-feira, o documento foi entregue pelo presidente do BRB, Nelson de Souza, ao diretor de Regulação do Banco Central, Gilneu Vivan, que também exerce temporariamente a posição de diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.
O secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias, também participou do encontro. Segundo o BRB, ele reforçou o compromisso do DF, acionista controlador do banco, com as medidas apresentadas e com a solidez do banco.
"Elaborado para garantir a sustentabilidade da instituição, o plano fortalece o capital institucional e assegura a estabilidade das operações", diz o BRB. "O banco reafirma seu compromisso com a transparência, com a proteção de clientes, investidores e parceiros, e com a adoção de todas as medidas necessárias para preservar a integridade e a continuidade de suas atividades."