BRB cancela assembleia sobre aporte para 'amadurecer análises' após uso de imóveis parar na Justiça

Utilização de imóveis públicos para capitalizar banco após rombo deixado pelo Master foi barrada na Justiça do DF, mas liminar foi derrubada nesta terça-feira após recurso do governo Ibaneis Rocha

17 mar 2026 - 21h54
(atualizado às 22h31)

BRASÍLIA - O Banco de Brasília (BRB) anunciou na noite desta terça-feira, 17, o cancelamento da Assembleia Geral Extraordinária que ocorreria nesta quarta-feira, 18, a fim de deliberar sobre o plano de capitalização do banco para cobrir os prejuízos deixados pelas operações com o Banco Master.

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A decisão ocorre após o uso de imóveis públicos para capitalizar o banco estatal parar na Justiça, num vaivém de decisões.

"A deliberação foi adotada em caráter prudencial, considerando a superveniência de decisão judicial em caráter liminar relacionada à matéria a ser submetida à assembleia, a qual recomenda o aprofundamento das análises jurídicas e institucionais pertinentes, de modo a assegurar plena segurança regulatória e aderência às melhores práticas de governança corporativa", diz o banco em fato relevante.

O banco estatal diz ainda que vem conduzindo o "aprofundamento de estudos técnicos relacionados à estruturação de sua base de capital, incluindo a avaliação econômico-financeira de ativos e a análise de alternativas envolvendo fluxos de recebíveis de titularidade do Distrito Federal", com potencial impacto na operação que seria submetida anteriormente à deliberação dos acionistas.

"Nesse contexto, o Banco entendeu como mais adequado postergar a apreciação da matéria, de forma a permitir o amadurecimento das análises em curso e assegurar que eventual proposta a ser submetida aos acionistas reflita, de maneira consistente, a melhor estrutura econômica, financeira e jurídica para a Companhia", diz o texto.

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O BRB afirma que "informará oportunamente a nova data para realização da Assembleia Geral Extraordinária".

No último dia 3, a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou o projeto do governador Ibaneis Rocha (MDB) autorizando o Executivo a efetuar um aporte no BRB para cobrir o rombo do Banco Master, calculado em pelo menos R$ 8 bilhões. A proposta foi sancionada e virou lei.

A lei oferece nove imóveis públicos para serem vendidos, transferidos ao BRB, estruturados em um fundo imobiliários e usados como garantia de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a outros bancos privados.

Vaivém na Justiça

Nesta terça-feira, 17, após recurso do governo do Distrito Federal (DF), o desembargador Roberval Casemiro Belinati, presidente em exercício do Tribunal de Justiça do DF, derrubou uma liminar que proibia a capitalização do BRB por meio de imóveis públicos.

A liminar impedia o uso de nove imóveis oferecidos pelo governo do DF para reforçar o capital do BRB, com a transferência dos bens para o banco, a oferta dos imóveis como garantia em um empréstimo e a criação de um fundo imobiliário com os terrenos.

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Como o Estadão mostrou, um dos imóveis tem um problema jurídico e outro está em uma área de preservação ambiental. Dois pareceres jurídicos da Procuradoria-Geral do Distrito Federal apontaram entraves legais para o uso de imóveis e foram ignorados por Ibaneis.

O governo não apresentou laudos atualizados sobre os valores dos imóveis e nem realizou estudos demonstrando os impactos da medida, e apenas estimou que os imóveis tenham um valor de aproximadamente R$ 6,6 bilhões.

No recurso, o governo Ibaneis Rocha alegou risco de liquidação ou intervenção federal no BRB se não houver um aporte para cobrir o rombo deixado pelo Master.

"(O) risco de danos ao Distrito Federal e ao BRB é imediato na medida em que (a decisão) impede a concretização dos instrumentos destinados a equacionar a crise do BRB, podendo levar a instituição bancária à liquidação ou à intervenção federal, com os graves impactos dessas medidas", diz o recurso.

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Os recursos apresentados pelo BRB e pelo Distrito Federal ainda serão analisados no mérito. A decisão do presidente em exercício do tribunal desta terça-feira foi tomada em caráter de urgência, chamada no meio jurídico de "contracautela", e suspendeu a liminar de primeira instância até a análise final.

O desembargador Roberval Casemiro Belinati tomou a decisão antes da análise final dos recursos apresentados pelo BRB e pelo Distrito Federal contra a liminar da primeira instância. Os recursos estão nas mãos de outro desembargador.

O BRB tem até o dia 31 de março para apresentar o balanço do terceiro e quarto trimestres de 2025. O documento precisa contabilizar os prejuízos causados pela compra de R$ 12,2 bilhões de créditos podres do banco Master.

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