Brasil faz leilão para segurança energética com expectativa de forte contratação de térmicas

18 mar 2026 - 10h23

O Brasil realiza nesta quarta-feira ‌um aguardado leilão de contratos para usinas termelétricas e hidrelétricas visando garantir a segurança do fornecimento de energia elétrica no país, com expectativa de negociação de pelo menos 20 gigawatts (GW), destravando investimentos de dezenas de bilhões de reais em projetos de energia.

Este será o segundo certame já feito no Brasil para contratação de ⁠reserva de capacidade, isto é, disponibilidade de usinas para acionamento rápido quando for ‌necessário pela operação do sistema elétrico.

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O avanço das fontes renováveis eólica e solar na matriz nos últimos anos intensificou a demanda também por mais usinas ‌despacháveis, como termelétricas e hidrelétricas, capazes de entrar ‌em operação sempre que houver oscilações ou queda na produção dessas fontes ⁠intermitentes.

A maior parte dos contratos negociados nesta quarta-feira deverá ser para usinas termelétricas movidas a gás natural e carvão, o que sugere uma maior demanda por esse tipo de produto do que para expansão de usinas hidrelétricas.

Estimativas de consultorias privadas apontam que será necessário adicionar ao setor elétrico brasileiro cerca de 30 ‌gigawatts (GW) de potência de usinas despacháveis nos próximos anos, a fim de evitar riscos ‌de blecautes por perda ⁠de controle operativo pelo ⁠Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Não se sabe se todo esse montante será contratado nos dois ⁠leilões de capacidade que acontecem esta ‌semana -- o outro acontece na ‌sexta-feira --, ou se parte dela poderá ficar para eventuais novos certames do tipo. A demanda dos leilões é calculada pelo governo e mantida em sigilo, não sendo revelada nem após o certame.

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A Aurora Energy Research prevê necessidade ⁠de contratação de 28,8  GW em leilões deste ano e nos próximos, sendo 21  GW em nova capacidade e 7,8 GW em térmicas já existentes, com o objetivo de eliminar o déficit de potência até 2030. Ao todo, esses negócios deverão impulsionar R$ 117 bilhões em investimentos, pelos ‌cálculos da consultoria.

Já a consultoria Thymos projeta contratação entre 23 e 30 GW em leilões de capacidade, sendo estimados cerca de R$60 bilhões em investimentos ⁠somente em novos empreendimentos viabilizados pelos certames.

O leilão desta quarta-feira é aguardado há anos por vários grandes atores do mercado de gás brasileiro, como Petrobras, Eneva e Âmbar Energia, da J&F. Também manifestaram interesse na disputa empresas como a GNA -- joint venture formada por bp, Siemens Energy, SPIC Brasil e Prumo Logística --, New Fortress Energy e a turca Karpowership.

A licitação também é uma oportunidade para ampliação de hidrelétricas, sendo visada por Axia e Copel, entre outras elétricas.

Os contratos negociados no leilão têm prazos de 10 a 15 anos e inícios de suprimento entre 2026 e 2031, a depender do tipo de usina e fonte de energia.

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A segunda sessão do leilão de capacidade, na sexta-feira, será voltada para usinas a óleo combustível e biodiesel.

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