Impulsionada pela alta nos preços do petróleo, a BP estima que suas margens de refino triplicaram no terceiro trimestre e que atingiu sua meta de endividamento antes do previsto. Por outro lado, a petroleira britânica alertou para novas baixas contábeis entre US$ 3 bilhões e US$ 4,5 bilhões em negócios de gás e energia de baixo carbono, acumulando perdas de US$ 10 bilhões na área em um ano. Uma atualização estratégica focada em simplificação será apresentada em dezembro.
A BP estimou nesta terça-feira que suas margens de refino no terceiro trimestre triplicaram em relação ao ano passado, à medida que a guerra no Irã impulsiona os lucros das grandes petrolíferas, mas também sinalizou baixas contábeis entre US$3 bilhões e US$4,5 bilhões relacionadas ao segmento de gás e energia de baixo carbono.
Esta é a segunda vez em um ano que a empresa britânica registra grandes baixas contábeis nos negócios de baixo carbono, após ter feito impairments de mais de US$4 bilhões relacionados a ativos de energia solar, biogás e eólica offshore.
A BP se recusou a fornecer detalhes sobre as últimas baixas contábeis.
As baixas contábeis nos negócios de transição da BP ao longo do último ano somaram cerca de US$10 bilhões, ou aproximadamente 10% do patrimônio líquido da companhia antes da pandemia da Covid no início desta década, o que "demonstra os danos causados pelas aventuras anteriores da BP", afirmaram analistas do RBC em uma nota, referindo-se à incursão no setor de energia renovável que o grupo abandonou no ano passado.
"Imaginamos que agora a casa esteja em ordem, mas também pensávamos isso no último trimestre", afirmou o RBC.
MARGENS DE REFINO SALTAM QUASE 60%
A BP estimou sua margem indicativa de refino para o trimestre de julho a setembro em US$46,7 por barril, acima dos US$29,6 por barril no segundo trimestre e dos US$15,8 por barril registrados há um ano. A guerra no Irã interrompeu o abastecimento global de petróleo, elevando os preços e as margens das grandes petrolíferas.
Um aumento nas margens de refino elevará o lucro da BP nos segmentos de produtos em US$1,9 bilhão a US$2,1 bilhões em relação ao trimestre anterior, informou o grupo em um comunicado antes da divulgação dos resultados, prevista para 30 de outubro.
Nos últimos anos, a BP alterou sua metodologia de cálculo das margens de refino, dificultando comparações históricas. A rival Shell informou na semana passada que esperava uma margem de refino recorde no terceiro trimestre.
A BP espera que o resultado de comercialização e negociação de gás no terceiro trimestre supere significativamente o do trimestre anterior. O resultado da comercialização de petróleo deve permanecer praticamente estável em comparação com o segundo trimestre, em um ano que tem sido forte para a mesa de negociação da commodity.
As ações da BP subiram 1,4% no início do pregão, superando o ganho de 0,3% no índice das empresas europeias de energia.
METAS DE DÍVIDA LÍQUIDA ALCANÇADAS
Ajudada por uma pausa em seu programa de recompra de ações este ano, pelos preços elevados e pelas vendas de ativos, a BP espera que sua dívida líquida fique entre US$13,5 bilhões e US$14,4 bilhões no trimestre, atingindo sua meta de US$14 bilhões a US$18 bilhões cerca de um ano antes do previsto.
A BP estimou sua produção upstream entre 2,19 milhões e 2,24 milhões de barris de óleo equivalente por dia, em comparação com 2,2 milhões no trimestre anterior.
A empresa apresentará uma atualização de sua estratégia e perspectivas no dia 15 de dezembro, em Nova York, que "definirá a próxima fase para a construção de uma BP mais simples, mais forte e mais valiosa", afirmou um porta-voz.