Mercado projeta alta da inflação e reduz estimativa para juros e dólar em 2026

Mediana do relatório Focus para o IPCA subiu de 5,01% para 5,22%, enquanto a da Selic diminuiu de 13,50% para 13,25%; expectativa para o dólar caiu de R$ 5,20 para R$ 5,15

13 out 2026 - 09h25
Resumo
O Relatório Focus elevou a projeção do IPCA de 2026 para 5,22%, superando a meta do Banco Central. Em contrapartida, as estimativas para o encerramento do mesmo ano apontam quedas na taxa Selic, que recuou para 13,25%, e na cotação do dólar, agora prevista em R$ 5,15. Por fim, a expectativa do mercado para o crescimento do PIB permaneceu estável em 1,85%. O cenário reflete cautela diante de incertezas globais e da desancoragem inflacionária.

BRASÍLIA - A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 subiu pela quarta semana consecutiva, desta vez de 5,01% para 5,22% — 0,72 ponto porcentual acima da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. Considerando apenas as 54 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana aumentou de 5,07% para 5,19%.

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A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 seguiu em 4,30%, mesmo nível em que estava há quatro semanas, embora tenha oscilado no período. Considerando apenas as 54 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana caiu de 4,30% para 4,26%.

Banco Central projeta alta de 5,2% para o IPCA em 2026
Banco Central projeta alta de 5,2% para o IPCA em 2026
Foto: André Dusek/Estadão / Estadão

A mediana do Focus para a inflação de 2028 oscilou de 3,80% para 3,79%, depois de dez semanas de estabilidade. Para 2029, a estimativa oscilou de 3,51% para 3,50%. Há um mês, era de 3,50%.

O Banco Central projeta alta de 5,2% para o IPCA em 2026 e 3,9% em 2027. As estimativas constam no comunicado da reunião de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom). O colegiado projeta a inflação acumulada em 3,2% em 12 meses no 1º trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária.

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.

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Selic

A mediana para a taxa Selic no fim de 2026 diminuiu de 13,50% para 13,25%, depois de duas leituras consecutivas de estabilidade. Considerando só as 48 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano permaneceu em 13,25%.

A estimativa intermediária do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2027 ficou em 12,00% pela 17ª semana consecutiva. Levando em conta apenas as 47 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, porém, a mediana diminuiu de 12,00% para 11,75%.

Em 16 de setembro, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo dos juros.

A Selic já caiu 1,25 ponto porcentual desde março, quando o BC começou um "ciclo de calibração" da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã sobre a cadeia global de suprimentos, os preços de commodities e a própria inflação.

"O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", disse o Copom na ata da reunião.

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A mediana do mercado para a Selic no fim de 2028 ficou em 10,50% pela 15ª semana seguida. A estimativa para 2029 continuou em 10,00% pela 23ª semana consecutiva.

Dólar

A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,20 para R$ 5,15, depois de 16 semanas de estabilidade. Considerando apenas as 40 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária diminuiu de R$ 5,20 para R$ 5,05.

A mediana para a cotação da moeda americana no fim de 2027 caiu de R$ 5,28 para R$ 5,26. Há um mês, era de R$ 5,28. Já a projeção para o fim de 2028 seguiu em R$ 5,30 pela 12ª semana consecutiva, enquanto a estimativa para 2029 caiu de R$ 5,33 para R$ 5,30. Há um mês, era de R$ 5,36.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

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PIB

A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 seguiu em 1,85%. Um mês antes, era de 1,89%. Considerando apenas as 35 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa oscilou de 1,83% para 1,81%.

O crescimento esperado pelo mercado está próximo ao previsto pelo Banco Central, de 1,8%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) do terceiro trimestre.

A mediana do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 permaneceu em 1,40%. Levando em conta apenas as 35 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária caiu de 1,40% para 1,35%.

A mediana para o crescimento do PIB de 2028 oscilou de 1,81% para 1,83%. Há um mês, era de 1,87%. Para 2029, permaneceu em 2,00% pela 82ª semana seguida.

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