A geradora Atlas Renewable Energy avalia o desenvolvimento de até 500 MW em projetos de baterias no Brasil, que poderiam ser viabilizados tanto em leilão quanto de forma independente junto a seu portfólio de usinas renováveis, disse à Reuters o presidente da companhia para o país nesta terça-feira.
Na avaliação de Fabio Bortoluzo, a principal oportunidade para desenvolvimento dessas tecnologias de armazenamento de energia será o certame inédito previsto para dezembro, que poderá marcar um "ponto de inflexão" para as energias renováveis no Brasil, já que ajudará o setor a entender qual será o nível "normal" de cortes de geração de eólicas e solares.
"Temos olhado para o leilão como uma potencial oportunidade, muito nessa base de combinar com a geração existente. Entendemos que, com a tecnologia sendo viável, podemos inclusive instalar mais geração", disse, à margem de um evento em São Paulo.
A empresa controlada pelo Global Infrastructure Partners (GIP), da BlackRock, é um dos grandes investidores em energias renováveis no Brasil que, assim como seus pares, tem sofrido com as elevadas restrições à produção das usinas eólicas e solares, impostas na operação do sistema elétrico.
A companhia suspendeu planos de US$1 bilhão em novos investimentos no mercado brasileiro, diante do problema do "curtailment".
Segundo Bortoluzo, o primeiro leilão de baterias ajudará o setor nacional a entender o ponto de equilíbrio das restrições energéticas com as quais a matriz brasileira terá que conviver no futuro.
"Acho que é consenso que nunca será zero, a gente sempre vai ter alguma restrição energética no sistema, mas a gente deveria ter uma visão de quanto ela é e quando ela acontece, quando ela normaliza", avaliou o executivo, durante evento.
O primeiro leilão de baterias prevê um incentivo para instalação dos sistemas no Nordeste, principalmente polo para as energias eólica e solar no Brasil. Projetos localizados em pontos específicos da região contarão com um "bônus", saindo à frente na disputa pelos contratos.
O potencial de 500 MW para desenvolvimento de baterias pela Atlas no Brasil é metade do que a empresa já tem em projetos do tipo em construção e operação no Chile, mercado que está mais avançado na implementação de baterias em larga escala no setor elétrico.
Para o certame de dezembro, o presidente da geradora no Brasil avalia que há espaço para aprimoramento das regras inicialmente postas pelo governo, principalmente para permitir baterias co-localizadas, isto é, associadas a usinas já existentes e que possam consumir energia diretamente delas, sem puxar da rede elétrica nacional.
Embora já seja viável do ponto de vista regulatório, a instalação de baterias por conta própria dos geradores em seus parques ainda esbarra em custos elevados, apontou Bortoluzo, citando uma alta carga tributária incidente sobre os equipamentos importados.