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Ataques da Ucrânia bloqueiam exportação de grãos da Rússia

26 ago 2026 - 17h36
Resumo
Ataques de drones ucranianos contra portos no Mar Negro, com foco em Novorossiysk, paralisaram quase totalmente as exportações de grãos da Rússia e reduziram os embarques de petróleo. A ofensiva atinge a infraestrutura e afasta navios, ameaçando o abastecimento global de trigo, do qual a Rússia é a maior exportadora mundial. Com rotas alternativas limitadas e caras, os bloqueios geram prejuízos aos produtores e aos cofres russos, enquanto os ataques mútuos também afetam as vendas da Ucrânia.

Moscou é o maior exportador mundial de trigo. Escoamento de petróleo russo também foi prejudicado por ataques de drones ucranianos a portos no Mar Negro.Quando o presidente Vladimir Putin apresentou suas justificativas para a anexação ilegal da Península ucraniana da Crimeia pela Rússia, em 2014, ele disse que não poderia "permitir que as forças da Otan acabassem chegando à Crimeia e a Sebastopol, terra da glória militar russa, alterando fundamentalmente o equilíbrio de forças na região do Mar Negro".

Ataques ucranianos intensificados à infraestrutura portuária russa no Mar Negro fizeram a Marinha russa perder o controle da região
Ataques ucranianos intensificados à infraestrutura portuária russa no Mar Negro fizeram a Marinha russa perder o controle da região
Foto: DW / Deutsche Welle

Doze anos depois, a Marinha russa já não domina mais a região. E exportar mercadorias pelo Mar Negro está cada vez mais difícil para a Rússia devido aos ataques de drones da Ucrânia. Só é possível reorganizar parcialmente a logística.

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Ataques ucranianos intensificados contra Novorossiysk, o maior porto comercial russo no Mar Negro, provocaram interrupções significativas nos embarques de petróleo e grãos nas últimas semanas.

Se os ataques continuarem na mesma intensidade, as consequências para os exportadores e os cofres do governo russo poderão ser significativas, segundo especialistas ouvidos pela DW.

Por que a Ucrânia ataca Novorossiysk

Novorossiysk é um dos principais centros de exportação da Rússia desde o século 19 e é até hoje o maior porto do país em volume de carga, além de um dos maiores da Europa. Até um terço das exportações russas de grãos passa pelo terminal, localizado próximo às principais regiões agrícolas do país. O porto também escoa petróleo bruto, metais e mercadorias em contêineres.

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Os recentes ataques ucranianos com drones marítimos e aéreos afetaram gravemente os embarques, especialmente os de grãos.

Andrei Sisov, diretor da empresa de pesquisa e consultoria agrícola SovEcon, acompanha os acontecimentos pelo Telegram. Em 12 de agosto, ele informou que a Fábrica de Produtos Panificados de Novorossiysk (NKHP), um dos maiores terminais de exportação de grãos da Rússia, e o terminal de grãos de Novorossiysk haviam interrompido suas operações. Um dia depois, a KSK, um dos maiores terminais de grãos em águas profundas do país, também suspendeu suas atividades.

As operações em um importante terminal de grãos em Taman já haviam sido paralisadas no fim de julho. Antes disso, a Ucrânia havia interrompido as atividades dos portos de águas rasas no Mar de Azov.

Até a publicação deste texto, apenas o terminal de Tuapse, o menor para o escoamento de grãos russos em águas profundas, continuava operando.

"Isso significa que praticamente todas as exportações russas de grãos pela bacia do Mar de Azov e do Mar Negro estão bloqueadas", afirmou Sisov.

A escalada das hostilidades nas regiões do Mar de Azov e do Mar Negro também será sentida no mercado mundial, já que a Rússia é a maior exportadora de trigo do planeta.

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Desabastecimento do mercado global?

A Argus Media, empresa sediada em Londres especializada em informações sobre mercados globais de energia e commodities, afirma que a Rússia poderá ter 45 milhões de toneladas de trigo disponíveis para exportação entre 2026 e 2027. No entanto, a situação no Mar Negro, por onde normalmente passam cerca de 90% dos embarques, tornará quase impossível o abastecimento do mercado global.

Sisov, da SovEcon, estimou que "muitos produtores russos não sobreviverão a esta temporada, especialmente após vários anos de deterioração das condições financeiras".

Como as exportações ficaram praticamente paralisadas, o excedente de grãos terá de ser vendido no mercado interno, o que já provoca queda nos preços.

Mesmo que as exportações sejam eventualmente retomadas, os problemas continuarão. Agosto costuma ser o mês de pico dos embarques, e será difícil escoar posteriormente o que não foi exportado neste mês, já que os terminais normalmente operam no limite de sua capacidade durante o outono.

Exportações de grãos da Ucrânia também diminuem

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As exportações ucranianas de grãos também caíram fortemente devido aos ataques russos. No último mês, a Rússia também intensificou sua campanha contra portos ucranianos e embarcações atracadas no Mar de Azov e no Mar Negro.

"As interrupções impediram que as boas colheitas de trigo da Ucrânia e da Rússia chegassem ao mercado global", afirma Xiaoyi Deng, da Argus Media, à DW. "Ambos os países tiveram dificuldades para utilizar infraestruturas alternativas, como os portos do Báltico, via ferrovia, ou os portos do rio Danúbio, mas essas alternativas não são capazes de substituir integralmente as rotas atuais."

Escoamento do petróleo russo também foi prejudicado

A situação das exportações de petróleo não é tão dramática: apesar de não terem parado completamente, elas sofrem interrupções frequentes.

Segundo a agência de notícias Reuters, o terminal de Sheskharis, principal instalação de exportação de petróleo da Rússia no Mar Negro, responsável pelo embarque de cerca de 700 mil barris de petróleo bruto por dia, interrompeu os carregamentos em 14 de agosto. As operações só foram retomadas dois dias depois.

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Segundo o Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA), grupo de pesquisa sediado em Helsinque, o porto de Novorossiysk embarcou 30% menos petróleo nas duas primeiras semanas de agosto em comparação com o mesmo período do ano passado.

A queda foi precedida por um ataque ucraniano ao terminal marítimo do Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC), em 19 de julho.

Os danos à infraestrutura não são a única razão para a redução dos embarques, afirma Isaac Levi, analista de energia do CREA. Segundo ele, "os ataques contra embarcações desestimularam os navios a atracar em portos considerados alvos prioritários".

Um desses ataques, em 17 de agosto, visou um petroleiro grego que supostamente transportava petróleo russo, informou a agência de notícias Bloomberg.

"Se essas restrições persistirem durante agosto, a Rússia terá cada vez mais dificuldades para simplesmente adiar embarques e compensar posteriormente os volumes perdidos", analisa Levi. "A Rússia pode redirecionar os barris de petróleo, mas não pode redirecionar a infraestrutura."

Segundo Levi, os portos de Primorsk e Ust-Luga, no Mar Báltico, poderiam ser uma alternativa. Mas exportar o petróleo por ali "aumentaria significativamente os tempos e os custos de transporte em comparação com as exportações via Mar Negro". Ele também pondera que a "capacidade disponível continua pequena demais para substituir volumes significativos provenientes de Novorossiysk".

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