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Ataque a refinarias faz petróleo disparar

Barril subiu quase 15%, mas Petrobrás vai segurar preço de combustíveis no curto prazo

17 set 2019 05h38
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RIO - Depois dos ataques a instalações de petróleo da Arábia Saudita, os preços do petróleo dispararam nesta segunda-feira, 16, no mercado global, chegando a subir quase 20% no meio do dia - a maior alta desde a Guerra do Golfo, em 1991. No fechamento, as valorizações foram de 14,67% em Nova York (para US$ 62,90) e de 14,61% em Londres (US$ 69,02). Apesar da alta na cotação do barril, a Petrobrás, pelo menos no curto prazo, não vai mexer nos preços dos combustíveis no País.

O atentado de sábado interrompeu a produção de 5,7 milhões de barris diários de petróleo, montante que representa metade do exportado pelos sauditas e 5% da produção diária no mundo.

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O diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone, expressou preocupações com o mercado em uma série de posts no Twitter. Ele chegou a classificar a questão como uma "espécie de 11 de setembro", em referência ao ataque terrorista ocorrido em Nova York, há 18 anos.

Telefonema

Em busca de esclarecimentos sobre a situação do setor, o presidente Jair Bolsonaro ligou para o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco. O executivo informou ao presidente que não haverá repasse imediato nos preços. "Conversei com o presidente da Petrobrás, e ele disse que, como é algo atípico, ele (Castello Branco) não deve mexer no preço do combustível", explicou o presidente Bolsonaro, ao Jornal da Record.

A estatal vai avaliar o comportamento do preço do petróleo nos próximos dias para depois decidir se irá revisar os preços dos combustíveis no Brasil, reforçaram fontes da companhia.

A preocupação de especialistas e investidores, porém, é que a empresa seja usada, novamente, para atender às demandas do governo, como aconteceu no passado, para segurar a inflação. A companhia mantinha os preços dos combustíveis inalterados apesar das oscilações externas, o que gerou um rombo no caixa da companhia.

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Em relatório, analistas do banco UBS alertaram que, se a empresa não conseguir seguir os preços no mercado global, seu programa de venda de refinarias pode correr riscos. Com mais de 95% da capacidade de refino do País, a estatal tenta se desfazer de oito plantas, o que reduziria esse porcentual para a casa dos 50%.

Ganhos

Com a disparada do preço do petróleo, as ações ordinárias da petroleira subiram 4,52% e, as preferenciais, 4,39%. O movimento fez a estatal ganhar R$ 16 bilhões em valor de mercado.

"Se essa alta (do petróleo) não for repassada, por causa da pressão dos caminhoneiros, a imagem da Petrobrás pode ser afetada. Ou seja, a governança da petroleira está em jogo", disse Luís Sales, analista da Guide Investimentos.

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No primeiro semestre, Bolsonaro chegou a acionar o presidente da Petrobrás para intervir na política de preços da companhia, prática que acabou sendo castigada por investidores. / COLABORARAM CRISTIAN FAVARO, RENATO JAKITAS e WAGNER GOMES

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