Aneel inclui baterias no leilão de transmissão de 2027 e avança com nova forma de contratação

8 set 2026 - 12h10
Resumo
A Aneel incluiu, em consulta pública para o leilão de transmissão de 2027, um projeto pioneiro de baterias no Acre com aporte de R$ 249 milhões. A iniciativa busca substituir térmicas locais e elevar a segurança energética, além de contornar disputas sobre custos ao inserir a tecnologia na rede de transmissão, dividindo os encargos na tarifa. O certame prevê outros 11 lotes que somam R$ 12,9 bilhões em investimentos, incluindo a conexão Brasil-Bolívia e linhas para data centers no Nordeste.

A Agência Nacional de ‌Energia Elétrica (Aneel) incluiu um projeto de baterias no primeiro leilão de transmissão de energia de 2027, conforme proposta aprovada para consulta pública nesta terça-feira, o que poderá representar uma nova forma de contratação da tecnologia para o sistema elétrico brasileiro.

As baterias têm sido avaliadas pelo governo brasileiro primeiramente ⁠como uma maneira de proporcionar mais potência para o setor elétrico, com ‌o leilão planejado para este ano buscando contratar um atributo hoje fornecido por hidrelétricas e termelétricas.

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Mas elas também podem servir como ativos ligados ‌à rede de transmissão de energia, evitando interrupções ‌no fornecimento em determinados momentos, e sendo licitadas junto a ⁠outros projetos desse segmento.

A ideia da Aneel é que as baterias estreiem nos leilões de transmissão em 2027 com um projeto no Acre, na subestação Cruzeiro do Sul. A instalação do sistema de baterias permitiria a retirada de térmicas que hoje atendem a região e elevaria a confiabilidade do ‌atendimento de energia, segundo o regulador.

Com R$249 milhões em aportes estimados, as ‌baterias para o Acre teriam ⁠prazo contratual de ⁠18 anos, com três anos de implantação e 15 de operação, considerando o ciclo ⁠de vida dos equipamentos.

A licitação das ‌baterias como ativos de ‌transmissão evitaria a controvérsia que se instalou em torno do leilão de dezembro, que prevê a contratação da tecnologia como reserva de capacidade.

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Pela lei, na contratação como capacidade, as baterias deverão ser custeadas pelos ⁠geradores. Essa determinação, que ainda não foi regulamentada pela Aneel, criou grande insatisfação no segmento, levando a ameaças de judicialização do primeiro certame.

"Estamos fazendo a primeira licitação da solução de baterias (na transmissão), sem nenhuma discussão de como é pago o encargo, ‌porque é tarifa, metade paga o consumidor e metade paga o segmento de geração", disse o diretor-geral da Aneel, durante a reunião desta terça-feira.

Além ⁠do projeto de baterias no Acre, o primeiro leilão de transmissão de 2027, previsto para 30 de abril, prevê a oferta de mais 11 empreendimentos, em vários Estados, somando 3.245 km de novas linhas de transmissão e subestações com 1.386 MVA de capacidade de transformação.

Entre os projetos previstos no certame, estão a interligação Brasil-Bolívia, com reforços da rede no Mato Grosso do Sul, e novas instalações de transmissão para atender cargas eletrointensivas na Região Nordeste, como data centers. Juntos, esses projetos somam mais de metade dos R$12,9 bilhões em investimentos previstos no leilão, mas podem ser retirados do certame, já que têm pendências a serem resolvidas, disse a Aneel.

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