Não é novidade a crise de audiência enfrentada pela TV aberta. O movimento de perda de público começou no início dos anos 2000 e foi acelerado na pandemia de covid-19.
O surpreendente está no crescimento das plataformas de streaming. Ainda que sejam assinadas por um grupo pequeno de pessoas da população, estão perto de ter o mesmo público da Globo.
Em abril deste ano, a emissora líder teve média geral de 10.1 pontos. Os principais streamings (incluindo Netflix, Prime Video, Max, Disney+ e Globoplay) registraram 9.4 pontos.
A diferença cada vez menor indica que, em breve, o entretenimento sob demanda acessado por pagantes poderá ter mais audiência do que o maior canal de sinal aberto.
Ainda em relação a esses dados, a Record conseguiu 3.2 pontos de média em abril, quase três vezes menos que as plataformas. Ainda mais atrás ficou o SBT, com 2.4 pontos.
Em quinto lugar no ranking aparece a TV paga, com 2.3 pontos, confirmando a séria perda de assinantes na última década.
O vídeo online (streamings + YouTube) já representa 21,1% de tudo o que o brasileiro assiste. A TV linear (emissoras abertas + canais pagos) concentra 78,9%.
A tendência é o consumo cada vez maior de conteúdo pela tela de um dispositivo — o celular, principalmente — e menos pelo aparelho de TV, por mais moderno que seja.
Esse cenário reflete uma profunda mudança comportamental dos indivíduos e das famílias.
Em milhões de domicílios, a hora sagrada de se reunir na sala para ver televisão virou coisa do passado. Hoje, é cada um num canto com seu smartphone, tablet ou laptop.