Como Íris Abravanel suavizou cenas de racismo em Carrossel, segundo ex-diretor do SBT

Ex-diretor do SBT revela bastidores chocantes e como a autora driblou cenas racistas sem perder a lição para o público infantil

20 jan 2026 - 17h37

Fernando Pelegio, ex-diretor do SBT, abriu o coração ao NaTelinha Talk e contou detalhes de bastidores de uma das novelas infantis mais icônicas da emissora, Carrossel (2012-2013). Segundo ele, a autora Íris Abravanel teve que lidar com textos da versão original da Televisa que continham cenas racistas e preconceituosas, mas encontrou soluções criativas para transformar essas passagens em lições educativas, sem abrir mão do entretenimento.

Íris Abravanel (Divulgação)
Íris Abravanel (Divulgação)
Foto: Contigo

Pelegio relembrou uma das cenas mais polêmicas: Cirilo, personagem negro, liga várias vezes para Maria Joaquina, que não entende o motivo das chamadas. No texto original da Televisa, a resposta da menina era ofensiva e explícita:

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"Não te atendo porque meu telefone é tão preto quanto você".

O ex-diretor afirmou que, em vez de simplesmente cortar a cena, Íris Abravanel decidiu reescrevê-la e contextualizá-la, mostrando para as crianças o que estava errado e como agir de forma correta. Pelegio destacou:

"Vamos mostrar e consertar na mesma cena", ressaltando o cuidado da autora em educar sem perder a narrativa divertida.

Ele ainda completou: "Ela foi brilhante" nesse trabalho de adaptação.

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O impacto dessas mudanças vai além do roteiro. Pelegio afirmou que a postura de Íris abriu caminho para que a televisão infantil brasileira pudesse abordar temas delicados sem traumatizar o público jovem. "Ela transformou cenas que poderiam ser apenas ofensivas em oportunidades de ensino. Isso não era comum na época", explicou o ex-diretor.

Além disso, Pelegio comentou sobre a importância de Carrossel como marco do SBT, sendo uma das primeiras novelas infantis a trazer diversidade racial e social de forma didática. O sucesso da obra abriu portas para outras produções voltadas ao público jovem e familiar, mostrando que entretenimento e educação podem caminhar juntos.

A forma como Íris lidou com situações delicadas, segundo Pelegio, deixou uma lição clara para todos os roteiristas e diretores: confrontar preconceitos de maneira inteligente e educativa é possível e necessário. O resultado, concluiu ele, foi uma novela que divertiu, ensinou e, acima de tudo, respeitou todas as crianças que a assistiam.

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