O reality show é um produto desenhado para o entretenimento, a fofoca e o embate de egos. Contudo, a atual edição de A Fazenda cruzou uma linha extremamente perigosa. Ao trazer acusações graves de racismo, assédio sexual, xenofobia e intolerância religiosa em mero "enredo de reality", a Record se aproxima de um caminho sombrio.
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O estopim da crise ocorreu quando acusações diretas foram disparadas contra o participante Sergio Hondjakoff, o Cabeção. Diante da gravidade dos apontamentos feitos dentro da casa, a emissora agiu como se nada estivesse acontecendo. Em nenhum momento a produção exibiu os vídeos para esclarecer os fatos ao público ou aos peões. Adriane Galisteu, por sua vez, limitou-se ao papel de mera espectadora do caos. Vale ressaltar que foram diversos intervalos enquanto as acusações se acumulavam.
É compreensível que a apresentadora não interfira na dinâmica do jogo para não influenciar o rumo dos votos. No entanto, existe uma distância abissal entre respeitar a neutralidade do formato e fingir inocência quando acusações de crimes previstos no Código Penal são arremessadas ao vivo.
A postura da atração lembrou a dinâmica apelativa dos programas policiais de final de tarde: exibem a desgraça humana, fingem indignação por dois minutos e cortam abruptamente para uma publicidade sorridente de patrocinador.
A situação, que já era crítica após a participante Ana Bruna relatar ter sido vítima de importunação sexual por parte de Sergio, escalou nesta terça-feira, 29. A peoa saiu aos prantos após conversar com a produção. Do lado de fora, o debate continuou corroendo o ambiente sem que qualquer voz institucional da emissora viesse a público colocar ordem na casa.
Não foram apenas alegações isoladas. Sergio foi cobrado por múltiplos participantes por falas e atitudes associadas ao racismo, à intolerância religiosa e à xenofobia. Deixar que tais temas gravitem na casa sem a devida checagem dos fatos por meio das imagens da própria transmissão é extremamente perigoso.
O programa exibido nesta terça-feira, 29, torna-se o divisor de águas da temporada. A audiência inflada pelo feno queimado das brigas a Record certamente terá. Resta saber se a emissora será justa, mostrando imagens e cobrando responsabilidade dos participantes e até expulsando eventualmente um dos peões ou se continuará se omitindo para lucrar com acusações de crime em horário nobre.