Sem Bonner e com ‘globolixo’ em desuso, ódio agora está voltado aos jornalistas da GloboNews

Canal é o principal alvo de postagens contra a imprensa de TV e Natuza Nery foi a jornalista mais atacada no início da corrida presidencial

28 set 2026 - 09h55
(atualizado às 09h55)

Nas campanhas de 2018 e 2022, a mira da militância digital extremista estava voltada à Globo e ao então âncora do ‘Jornal Nacional’, William Bonner.

No pleito deste ano, o apresentador está fora do radar por não fazer mais jornalismo diário com cobertura política.

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E a emissora, líder de audiência na TV aberta, tem sido menos criticada do que antes por sua linha editorial.

Quase não há interrupções indevidas nas transmissões ao vivo com repórteres, quando se ouvia “globolixo” com frequência.

Agora, os ataques e o ‘hate’ da internet estão direcionados à GloboNews, canal de notícias que completa 30 anos em outubro.

Tanto a esquerda quanto a direita o acusam de falta de imparcialidade.

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Entre as situações mais controversas estão o infográfico (chamado popularmente de ‘powerpoint’) exibido no ‘Estúdio i’, em março, associando Lula a Daniel Vorcaro, do Banco Master.

A montagem vista como tendenciosa obrigou a apresentadora Andréia Sadi a pedir desculpas no ar e gerou mudanças na equipe do programa.

O erro a tornou vítima de mensagens misóginas, vídeos com manipulação de imagens e ameaças de agressão física.

As análises de Malu Gaspar contra o ministro Alexandre de Moraes e a favor das decisões do ministro André Mendonça também suscitaram protestos na web e notícias falsas para desmoralizar a jornalista.

A mais recente polêmica com forte repercussão nas redes foi o comentário de Maria Cristina Fernandes no ‘Em Pauta’, a respeito de suposta mobilização por um projeto de lei para tirar Nossa Senhora de Aparecida da condição de padroeira.

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Fora de contexto, a fala produziu material ligando Flávio Bolsonaro (PL) à ideia hipoteticamente defendida por evangélicos que apoiam sua candidatura à Presidência.

Poucas horas depois, a GloboNews fez um esclarecimento sobre a informação inverídica e pediu desculpas. Houve nova onda de ódio contra o canal.

A emissora número 1 na audiência no segmento de notícias da TV paga parece se equilibrar na corda bamba, com a esquerda puxando de um lado e a direita, do outro.

O que seus apresentadores e comentaristas noticiam e analisam sobre os presidenciáveis ecoa mais forte do que as declarações de jornalistas de qualquer outra emissora.

Esse poder de influência comprova a importância do canal, mas deixa seu elenco superexposto a hostilidades com viés ideológico.

A Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), em colaboração com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo, divulgou relatórios de ataques online à imprensa nesta corrida eleitoral.

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Foram 2.630 ocorrências de 16 a 29 de agosto. A apresentadora Natuza Nery, que comanda na GloboNews o ‘Edição das 18h’ e o ‘Central das Eleições’, foi a jornalista mais atacada no X e no Instagram.

As agressões no ambiente digital só aumentam: entre 30 de agosto e 12 de setembro, o monitoramento registrou 3.026 postagens ofensivas relacionadas à cobertura das campanhas.

As mulheres no jornalismo político são as mais desrespeitadas nas redes sociais: cerca de 60% dos casos registrados.

A melhor reação é não se curvar à internet polarizada e oferecer ao assinante do canal uma cobertura isenta e defensável, sempre com espaço ao contraditório.

Andréia Sadi, Natuza Nery e Malu Gaspar estão entre as jornalistas mais atacadas nas redes sociais
Andréia Sadi, Natuza Nery e Malu Gaspar estão entre as jornalistas mais atacadas nas redes sociais
Foto: Reproduções
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