'O Agente Secreto' amplia a lista de filmes brasileiros indicados ao Oscar; confira

O filme "O Agente Secreto" chama atenção ao somar quatro indicações: melhor elenco, melhor filme internacional, melhor ator e melhor filme. Relembre outros filmes brasileiros que foram indicados à premiação máxima do cinema mundial.

22 jan 2026 - 11h34

Ao longo das últimas décadas, o cinema brasileiro tem ocupado espaço cada vez mais visível no cenário internacional. E o Oscar se tornou um dos principais termômetros dessa presença. Em 2026, o filme "O Agente Secreto" chama atenção ao somar quatro indicações: melhor elenco, melhor filme internacional, melhor ator e melhor filme. Assim, o feito reacende o interesse pela trajetória do Brasil na premiação e pela forma como essas produções ajudam a projetar o país no exterior.

Esse caminho ganhou um novo e histórico capítulo no ano passado, quando "Ainda Estou Aqui" conquistou o Oscar de melhor filme internacional. Assim, tornou-se o primeiro filme brasileiro a vencer a principal premiação do cinema mundial. A vitória representou um divisor de águas, não apenas pelo reconhecimento artístico, mas também por simbolizar a consolidação de uma geração de realizadores que conseguiu superar barreiras de financiamento e distribuição para alcançar o público global.

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Essas indicações colocam novamente em evidência a capacidade do audiovisual brasileiro de dialogar com temas universais sem perder o vínculo com a realidade local. Afinal, a participação em categorias como melhor filme e melhor filme estrangeiro (hoje chamada oficialmente de melhor filme internacional) mostra que a academia de Hollywood tem olhado com maior atenção para narrativas vindas de fora do eixo tradicional. Nesse contexto, o histórico de filmes brasileiros indicados ao Oscar serve como referência para entender a relevância atual de "Agente Secreto".

O caminho do Brasil no Oscar ganhou um histórico capítulo no ano passado, quando “Ainda Estou Aqui” conquistou o Oscar de melhor filme internacional – Divulgação/Sony Pictures Brasil
O caminho do Brasil no Oscar ganhou um histórico capítulo no ano passado, quando “Ainda Estou Aqui” conquistou o Oscar de melhor filme internacional – Divulgação/Sony Pictures Brasil
Foto: Giro 10

Como "O Agente Secreto" chegou a quatro indicações no Oscar?

A campanha de "O Agente Secreto" até o Oscar envolveu uma combinação de estratégia de distribuição, participação em festivais e boa recepção crítica. Antes de chegar à cerimônia, o longa costuma percorrer mostras internacionais, onde ganha visibilidade entre críticos e votantes da Academia. Esse circuito ajuda a consolidar o filme como um dos principais representantes do cinema brasileiro recente.

Ademais, a produção já acumula mais de 50 prêmios. Entre eles, melhor ator (Wagner Moura) e melhor direção (Kleber Mendonça Filho) em Cannes e outros dois no Globo de Ouro: melhor filme em língua não inglesa e melhor ator de drama. No caso da indicação a melhor ator, o destaque recai sobre a performance do protagonista, que costuma ser analisada sob critérios como profundidade emocional, construção do personagem e consistência ao longo da narrativa. A indicação de melhor elenco, por sua vez, reconhece a força do trabalho coletivo, evidenciando a química entre os intérpretes e a maneira como o grupo sustenta a história do suposto "agente secreto" em um contexto brasileiro contemporâneo.

Quais filmes brasileiros já foram indicados ao Oscar?

Antes de "O Agente Secreto", outros filmes brasileiros já haviam chamado atenção no Oscar. Em especial, na categoria de melhor filme estrangeiro. Entre os mais lembrados está "Central do Brasil" (1999), de Walter Salles, indicado tanto a melhor filme estrangeiro quanto a melhor atriz, com Fernanda Montenegro. A produção se tornou um marco por reunir reconhecimento artístico e grande alcance internacional.

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Outro título frequentemente citado é "Cidade de Deus" (2004), de Fernando Meirelles e Kátia Lund, que conquistou indicações em categorias como direção, roteiro adaptado, montagem e fotografia. Embora não tenha sido indicado como filme estrangeiro, o longa reforçou a presença do cinema brasileiro em áreas técnicas e de direção. Já "O Pagador de Promessas" (1963), de Anselmo Duarte, foi o primeiro e até hoje único filme brasileiro a levar a Palma de Ouro em Cannes e também disputou o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Ao longo dos anos, a lista inclui ainda produções como "O Quatrilho" (1996), "O Que É Isso, Companheiro?" (1998) e outros títulos que, mesmo sem chegar à estatueta, consolidaram uma relação constante com a Academia. A presença brasileira também se expandiu para áreas como animação, documentário e curta-metragem, demonstrando diversidade de formatos. Mais recentemente, a conquista de "Ainda Estou Aqui" no Oscar reforçou essa trajetória, mostrando que o reconhecimento internacional do cinema nacional pode ir além das indicações e se converter em vitórias históricas.

  • "O Pagador de Promessas" - indicado a melhor filme estrangeiro (1963).
  • "O Quatrilho" - indicado a melhor filme estrangeiro (1996).
  • "O Que É Isso, Companheiro?" - indicado a melhor filme estrangeiro (1998).
  • "Central do Brasil" - indicado a melhor filme estrangeiro e melhor atriz (1999).
  • "Cidade de Deus" - indicado em direção, roteiro adaptado, fotografia e montagem (2004).
Entre as indicações brasileiras mais lembradas está “Central do Brasil” (1999), de Walter Salles, indicado tanto a melhor filme estrangeiro quanto a melhor atriz, com Fernanda Montenegro – Reprodução
Foto: Giro 10

Por que indicações como a de "O Agente Secreto" são importantes para o cinema brasileiro?

Cada nova indicação, como as quatro conquistadas por "O Agente Secreto", tende a fortalecer a imagem do cinema brasileiro como um campo em constante desenvolvimento. A visibilidade obtida no Oscar pode abrir portas para coproduções internacionais, aumentar a circulação em plataformas de streaming e ampliar o interesse de distribuidoras estrangeiras por obras brasileiras.

Além do impacto econômico, existe um efeito simbólico importante: o reconhecimento em categorias de destaque reforça a percepção de que histórias produzidas no Brasil conseguem dialogar com temas globais. Essa projeção pode estimular novos roteiristas, diretores e atores a investir em projetos mais ambiciosos, sabendo que há espaço para chegar a premiações de grande alcance. A vitória de "Ainda Estou Aqui" intensifica esse efeito, pois demonstra de forma concreta que o cinema brasileiro é capaz não apenas de competir, mas de conquistar o topo da principal premiação do setor.

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De forma prática, a presença contínua de filmes brasileiros no Oscar tende a gerar alguns desdobramentos:

  1. Aumento da procura por filmes nacionais em catálogos de streaming e salas de cinema.
  2. Fortalecimento de políticas públicas voltadas ao audiovisual, devido ao impacto internacional.
  3. Interesse de investidores estrangeiros em coproduções com produtoras brasileiras.
  4. Maior circulação de talentos brasileiros em produções globais.

Com esse histórico, com as quatro indicações de "O Agente Secreto" e com a conquista inédita de "Ainda Estou Aqui" no ano anterior, o Brasil amplia seu repertório no Oscar e reforça a presença do cinema nacional em uma vitrine que atinge público mundial. O movimento não se limita ao prêmio em si, mas à construção de uma trajetória em que o filme brasileiro passa a ser visto com mais regularidade, tanto por espectadores quanto pela própria indústria internacional.

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