O famoso artista que cantará no Rock in Rio após criticar festival: 'praça de alimentação'

Hitmaker já disse que sua obra 'alta culinária' não tem espaço no Brasil e declarou que grandes festivais nacionais tratam 'música como acompanhamento'

11 fev 2026 - 14h29

O lineup dos dois palcos principais do Rock in Rio 2026 no dia 7 de setembro está quase fechado. A organização confirmou mais atrações para esta data, capitaneada por Elton John. Além do astro britânico, o palco Mundo na ocasião terá Gilberto Gil, Jon Batiste e Luísa Sonza convidando Roberto Menescal.

Rock in Rio
Rock in Rio
Foto: Wagner Meier/Getty Images / Rolling Stone Brasil

Já no palco Sunset, três dos quatro nomes esperados para compor a programação foram revelados. São eles: a islandesa Laufey, o pagodeiro Péricles cantando hits da Motown Records e a banda Roupa Nova com o convidado especial Guilherme Arantes.

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A presença de Arantes chama atenção por alguns fatores. Primeiro, pelo óbvio: será a estreia do artista, um dos maiores hitmakers da música brasileira, no festival mais famoso do país. Ainda que sua presença ocorra apenas no formato de convidado do Roupa Nova, trata-se de uma reparação histórica, pois faria todo o sentido Guilherme estar no lineup da primeira edição do evento, em 1985.

Além disso, surpreende que a organização do Rock in Rio tenha cedido ao chamá-lo, pois Arantes, em mais de uma ocasião, teceu críticas à proposta do festival. Em março de 2024, por exemplo, disse durante show em São Paulo (via Estadão) que uma música como "Coração Paulista" "não serve para tocar na praça de alimentação do Rock in Rio". "Minha alta culinária (música) não tem lugar no Brasil. Mas, para mim, está tudo bem", completou.

Dois meses depois, em entrevista a Danilo Casaletti para o Estadão, o músico de 72 anos estendeu sua avaliação a todos os grandes festivais. Para ele, os lineups montados são genéricos e o foco das atenções acabam sendo as atrações paralelas, como ativações e brinquedos.

"Nesses festivais, você não vai para assistir a um show. Vai para, como eles dizem, 'viver uma experiência'. Comportamento, gastronomia, esportes radicais, moda etc. E a música é um acompanhamento. Um catchup que está na praça de alimentação, vamos dizer. Eu os chamo de praça de alimentação porque nela você mistura o cheiro do orégano da pizza com a soja do sushi. De salada com sorvetes. É algo genérico, muito louco. E me parece que esses novos festivais se propõem a essa multiplicidade. Mas temos que respeitar. [...] Se vier o convite, não é algo para se descartar. Posso ser um anfitrião, convidar pessoas de várias gerações e diferentes linhagens."

Guilherme Arantes pediu por Roupa Nova no Rock in Rio

Em outra entrevista, de 2022, ao Corredor 5 (via site Igor Miranda), Guilherme Arantes pareceu até profetizar a presença do Roupa Nova no Rock in Rio de 2026. O músico disse que Ivete Sangalo, recordista em participações no festival (19 se contar também as edições internacionais), "já deu o que tinha que dar" e pediu pela banda que agora o convida para subir no palco Sunset.

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"Acho, por exemplo, que a Ivete Sangalo já deu o que tinha que dar. Chega. Eu sei que é uma grande cantora e tudo. Eu reconheço. Mas, pô, nenhuma oportunidade para o Roupa Nova? Eu acho esquisito."

Outra ausência lamentada, neste caso em relação ao evento de 1985, foi a de Ritchie. Arantes afirmou em 2019 via Facebook (via site Igor Miranda) que o dono do hit "Menina Veneno" deveria ter sido escalado para a edição inaugural.

"A ausência mais escandalosa, mais injusta da história do Rock in Rio, na minha questionabilíssima opinião, foi o grande músico, o gentleman, o discreta e humildemente elegante Ritchie. […] O que mais me causou estranheza desde o primeira versão do RiR foi esse clima de injustiça (já ali) inaugurado com a ausência acachapante e jamais explicada do maior artista daquele momento: Ritchie."

Agora, Guilherme poderá ao menos reparar a injustiça de sua ausência e, talvez, rever — ou não — suas críticas à organização do Rock in Rio. A participação é um dos marcos das celebrações de cinco décadas de carreira, conduzidas por um novo álbum de estúdio, Interdimensional, e uma turnê, 50 Anos-Luz, que estreia dia 7 de março no Espaço Unimed, em São Paulo.

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