O universo do rock'n'roll pode estar prestes a testemunhar uma nova fase para os icônicos Rolling Stones. Em vez das exaustivas turnês globais que marcaram sua trajetória, a banda agora considera a possibilidade de uma residência fixa. A ideia, que ganha força nos bastidores, reflete o peso dos anos e a busca por um modelo mais sustentável para levar sua música aos fãs.
Keith Richards, o lendário guitarrista, com seus 82 anos, não hesitou em expressar o desgaste acumulado após décadas de shows em estádios colossais. A rotina de viagens, segundo ele, torna-se um fardo cada vez maior.
"Não sei se as turnês são possíveis. A proposta de uma residência, seja em metrópoles como Londres, Nova York ou Paris, surge como uma alternativa atraente. "Eu vejo a possibilidade de fazermos uma residência em algum lugar. Onde quer que seja, Londres, Nova York, Paris, em qualquer lugar.
Eu tocarei em Roma! Mas não vejo por que eles não deveriam ser capazes de montar alguns shows em um novo formato", ponderou o músico, abrindo um leque de possibilidades para o futuro do grupo.
A paixão pela música e a camaradagem entre os integrantes são o motor que impulsiona a banda. "Adoro trabalhar com os caras. Quer dizer, o que eu vou fazer? Jesus Cristo.
É necessário para mim — sob a mira de uma arma, se preciso for — manter uma banda unida", declarou, reforçando o laço que une ele, Mick Jagger (também com 82 anos) e Ronnie Wood (79 anos).
Ainda que um novo formato de apresentações esteja em pauta, a chama dos palcos parece longe de apagar. Pouco antes das declarações de Keith Richards, Mick Jagger já havia acenado com a possibilidade de shows no próximo ano. Em entrevista ao Sunday Sitdown with Willie Geist do TODAY, o vocalista expressou seu entusiasmo: "Bem, eu adoraria. Eu realmente quero. E estou pronto para ir. "
O foco dos Rolling Stones não se limita apenas aos palcos. A banda segue ativa no estúdio, preparando o lançamento de Foreign Tongues, o sucessor do aclamado Hackney Diamonds, vencedor do Grammy em 2023. Mick Jagger adiantou que o novo álbum será um verdadeiro mosaico de estilos, com a expectativa de que cada uma das 14 faixas ofereça algo único aos ouvintes.
"Você espera que cada faixa tenha algo para todos. É por isso que você tem, sabe, 14 faixas", explicou, ecoando comentários feitos na BBC Radio 2 recentemente.
Foreign Tongues, com lançamento previsto para 10 de julho, já gera burburinho, não apenas pela expectativa em torno de um novo material dos Stones, mas também pelas colaborações estelares. O álbum contará com a participação de Sir Paul McCartney, Robert Smith (vocalista do The Cure) e Chad Smith (baterista do Red Hot Chili Peppers), prometendo uma experiência sonora rica e diversificada.
A longevidade da banda, que ultrapassa seis décadas de carreira, é um testemunho de sua resiliência e adaptação. A manutenção da forma física para continuar gravando e se apresentando é um desafio constante, como Mick Jagger fez questão de frisar. "Bem, isso é apenas estar em forma. Você tem que trabalhar nisso, seja qual for a sua idade, e se você tem a minha idade, você tem que realmente trabalhar nisso.
Você não se move tão bem. Você tem que realmente trabalhar nisso", revelou. É uma rotina de disciplina e dedicação, que, embora diferente da juventude, permite que o vocalista continue a entregar performances memoráveis.
A gravação de Foreign Tongues foi um processo intenso e prazeroso, conforme descrito pelos membros da banda durante o evento de lançamento no Brooklyn. "Tínhamos 14 ótimas faixas e fomos o mais rápido que pudemos", disse Jagger. Para Keith Richards, a experiência foi gratificante: "Foi um mês de concentração intensa. Para mim, é tudo sobre o prazer disso. "
A discussão sobre o futuro dos Rolling Stones — entre turnês tradicionais e residências, entre álbuns de estúdio e a energia dos palcos — ressalta a capacidade da banda de se reinventar e de continuar relevante, desafiando as expectativas e consolidando seu lugar como um dos maiores fenômenos da história da música.
O que virá a seguir, apenas o tempo dirá, mas uma coisa é certa: os Stones ainda têm muito rock'n'roll para entregar.