Wagner Moura revela que tem medo de ser preso pela polícia de imigração dos EUA

Mesmo morando legalmente nos EUA, Wagner Moura revela que tem medo de ser preso pela polícia de imigração dos EUA

20 fev 2026 - 08h41

Durante agenda internacional de divulgação do filme O Agente Secreto, o ator Wagner Moura voltou a se posicionar sobre o cenário político dos Estados Unidos. Em entrevista concedida ao jornal El País nesta quinta-feira (19), o brasileiro comentou os impactos das políticas migratórias associadas ao ex-presidente Donald Trump. Morando no país desde 2017, ele afirmou que o endurecimento das medidas contra estrangeiros tem provocado apreensão inclusive entre residentes legalizados.

Wagner Moura revela que tem medo de ser preso pela polícia de imigração dos EUA / Reprodução
Wagner Moura revela que tem medo de ser preso pela polícia de imigração dos EUA / Reprodução
Foto: Contigo

Ao falar sobre a atuação do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), o artista relatou receio diante de possíveis abordagens. "Estamos atravessando um momento muito feio. Até eu tenho medo de me deparar com o ICE. Digo isso porque reajo de maneira explosiva quando vejo uma situação de injustiça ou de autoritarismo diante dos meus olhos. E agora não sei se conseguiria fazer isso, porque esses caras podem te matar, como vimos", declarou. Segundo ele, o ambiente atual é marcado por tensão e insegurança para comunidades imigrantes.

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Comparações com o cenário brasileiro

Na mesma entrevista, Wagner Moura traçou paralelos entre a conjuntura norte-americana e o período recente vivido no Brasil. "Vivemos tempos muito tristes. É curioso como se repetem os mesmos padrões que ocorreram no Brasil. Por exemplo, demonizar os atores, os artistas, os jornalistas e as universidades", afirmou. Para o ator, houve uma estratégia semelhante de desgaste da imagem de profissionais ligados à cultura e à informação. "A extrema direita no Brasil foi muito eficaz em transformar, diante das pessoas, os artistas brasileiros em inimigos do povo. Com um discurso com mensagens como a de que essa gente vive do dinheiro público. Ou como conseguiram fazer com que a verdade desaparecesse", completou.

O artista também mencionou o papel das plataformas digitais nesse processo. "Há cerca de dez anos, no Brasil, fomos muito ingênuos. Pensávamos que o Facebook podia ser uma ferramenta de conexão, de mobilização das pessoas e de democratização da informação. Hoje é evidente a união entre os oligarcas da tecnologia e a extrema direita. De alguma forma, nós, os progressistas, perdemos a batalha das redes sociais. Mas é preciso continuar insistindo, continuar lá, com pequenas desobediências", concluiu.

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