Em entrevista ao programa Roda Viva, Tony Ramos criticou duramente o uso de inteligência artificial para recriar atores, afirmando que a verdadeira qualidade artística reside na presença humana e que não autorizaria tal prática em vida. Vítima recente de um deepfake fraudulento para a venda de medicamentos, o ator alertou sobre os riscos criminosos da ferramenta, reconheceu que ela veio para ficar e declarou que a decisão sobre o uso póstumo de sua imagem caberá aos seus herdeiros.
Na última segunda-feira, 28, o ator Tony Ramos participou do programa Roda Viva e deu sua opinião sobre os limites da inteligência artificial no audiovisual.
Perguntado sobre a prática de substituição ou recriação de artistas por meio da tecnologia, Tony foi categórico: "Em vida, eu não permitiria nem a pau", disse. "Não quero isso. Acho um horror, acho que isso é mentir para quem te assiste. Isso é um subterfúgio para tentar falar que melhora o custo e melhora a qualidade. Mentira, a qualidade é isso aqui: é carne, é osso, é alma, é vibração", explicou. "Isso serve para qualquer ser humano, para qualquer profissão", concluiu.
O ator comentou ainda que, recentemente, foi vítima de uma manipulação feita com inteligência artificial. Na ocasião, um vídeo nas redes sociais mostrava uma deepfake dele, em uma entrevista com Ana Maria Braga, vendendo remédios para a próstata.
"Roubaram minha imagem em uma entrevista com a Ana Maria Braga. Dublaram, mal dublado, aliás, e fizeram eu vender um remédio para próstata", contou.
Tony também deu sua opinião sobre a inteligência artificial. "Ela veio para ficar", disse. "Teremos que aprender a lidar com ela, porque ela pode ser até criminosa. Então, há de se ter muito cuidado."
Quando perguntado sobre se consideraria incluir em seu testamento alguma restrição sobre o uso da sua imagem no pós-morte, o intérprete de Otoniel em Quem Ama Cuida respondeu: "No pós-morte eu deixo para meus netos, pra minha filha, pro meu filho, eles que resolvam", disse.