A influenciadora e advogada Deolane Bezerra, de 38 anos, foi presa na manhã desta quinta-feira (21) em sua mansão em Alphaville, na região metropolitana de São Paulo, durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil.
A operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado à cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), e entre os outros alvos estão Marcola, chefe da facção, seu irmão, dois sobrinhos e um suposto operador financeiro identificado como "Player".
Segundo os investigadores, Deolane teria recebido valores da organização por meio de uma transportadora de cargas apontada como braço financeiro do PCC, atuando como suposta "caixa" da facção, com depósitos em espécie saindo diretamente do caixa da organização criminosa. A operação resultou no bloqueio de mais de R$ 327 milhões em patrimônio, apreensão de 17 veículos de luxo e quatro imóveis.
A defesa da influenciadora, representada pela irmã Daniele Bezerra, classifica a prisão como perseguição: "Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações."
Por quanto tempo Deolane Bezerra pode ficar presa?
Para a advogada criminalista Daniele Taveira, o cenário jurídico de Deolane é significativamente mais grave do que em 2024. Segundo ela, a ex-A Fazenda pode receber uma pena de 12 a 40 anos de prisão.
"O caso envolve crimes que se enquadram em mais de uma legislação. Pela Lei de Lavagem de Dinheiro, a pena é de 3 a 10 anos. Mas agora entra em cena a Lei Antifacção, sancionada em 24 de março de 2026, que criou dois tipos penais centrais: o crime de 'domínio social estruturado', com pena de 20 a 40 anos, e o de favorecimento a esse domínio, com pena de 12 a 20 anos de prisão. Se Deolane for enquadrada como integrante do PCC, responde pelo primeiro tipo; se for caracterizada apenas como facilitadora do esquema financeiro, pelo segundo. Somando-se lavagem de dinheiro e associação criminosa, a pena total pode chegar a 66 anos", explica.
Sobre o peso do histórico de prisão anterior, a especialista é direta. "Em setembro de 2024, Deolane havia sido presa na Operação Integration e saiu com habeas corpus. O fato de ter obtido a liberdade anteriormente e agora estar sendo investigada por um esquema ainda mais grave e estruturado, desta vez ligado à cúpula do PCC, reforça o argumento de necessidade de manutenção da prisão preventiva. O histórico de soltura anterior pode ser usado pela acusação para demonstrar que medidas alternativas já foram tentadas e não surtiram efeito", afirma.
A advogada acrescenta que a nova lei também endureceu as regras de progressão: "Lideranças conectadas a esses crimes deixam de ter acesso a benefícios como anistia, indulto, fiança ou liberdade condicional, e a progressão pode exigir até 85% do cumprimento da pena em regime fechado, com execução em presídios de segurança máxima", detalha.
Quanto à possibilidade de um novo habeas corpus, Daniele Taveira traça um cenário difícil. "O caminho existe, mas ficou muito mais estreito. A Lei Antifacção trouxe uma mudança processual relevante: passou a tratar a prática dos crimes da lei como 'causa suficiente' para a decretação de prisão preventiva, o que torna a defesa na audiência de custódia significativamente mais difícil. Para um habeas corpus prosperar, a defesa precisaria demonstrar ilegalidade concreta na prisão preventiva, ausência de fundamentação, constrangimento ilegal ou excesso de prazo. Não é impossível, mas a robustez da investigação e o novo marco legal tornam esse caminho muito mais tortuoso do que foi em 2024", conclui.