O escritor Ian Fleming, criador do personagem James Bond, sugeriu aos produtores do primeiro filme da franquia, ‘007 Contra o Satânico Dr. No’, de 1962, que o agente 007 fosse interpretado por David Niven.
Não foi atendido. Albert R. Broccoli e Harry Saltzman argumentaram que Niven, na época com 52 anos, seria “velho” para o papel.
Fleming enxergava Bond justamente como um homem de meia-idade, aristocrático, que agia muito mais pela inteligência do que pelo vigor físico.
O primeiro escolhido acabou sendo Sean Connery, que estava com 32 anos de idade no lançamento de ‘Dr. No’. Era bonito, atlético e charmoso.
Cinco anos depois, David Niven, aos 57, foi enfim escalado para viver o espião.
Ele não surgiu como o agente 007 na tradicional série de longas, e sim numa sátira, ‘Cassino Royale’, que ironizou a própria trama original.
(Não confundir com o longa de mesmo título protagonizado pelo Bond Daniel Craig em 2006.)
No roteiro, o agente britânico é tirado da aposentadoria para investigar o assassinato de vários colegas de agência por uma organização criminosa. O tom de comédia anárquica transformou o filme em ‘cult’.
David Niven já era famoso quando foi recomendado por Ian Fleming para ser o 007. Havia ganhado o Oscar de Melhor Ator pela atuação em ‘Vidas Separadas’, de 1958.
Popularizou-se em Hollywood entre as décadas de 1930 e 1970 devido à imagem de cavalheiro britânico e pelo humor refinado.
Atuou ainda em clássicos como ‘Volta ao Mundo em 80 Dias’ (1956), ‘Os Canhões de Navarone’ (1961) e ‘A Pantera Cor-de-Rosa’ (1963).
Pai de quatro filhos, Niven morreu aos 73 anos em 1983 no seu chalé em Chateau D’Oex, na Suíça, onde foi sepultado.