Filme de diretor cearense vai disputar o Urso de Ouro em Berlim

Filme de diretor cearense vai disputar o Urso de Ouro em Berlim e chama atenção pelo título enigmático: Rosebush Pruning.

21 jan 2026 - 10h01

Filme de diretor cearense vai disputar o Urso de Ouro em Berlim e chama atenção pelo título enigmático: Rosebush Pruning. A produção brasileira chega ao Festival de Berlim como representante de uma geração de cineastas que explora temas íntimos, relações familiares e tensões sociais em narrativas de forte carga simbólica. Além disso, o longa se insere em uma safra recente de filmes nacionais que prioriza experiências subjetivas. Sem revelar o desfecho, a obra se apoia em metáforas ligadas ao ato de podar um roseiral para discutir mudanças, rupturas e reinícios.

O longa tem direção de um cineasta cearense que, ao longo da carreira, construiu filmografia ligada a histórias de personagens comuns em situações de transformação. Por isso, muitos críticos associam sua obra a um realismo sensível e observador. Em Rosebush Pruning, esse olhar se volta para um núcleo familiar em crise, atravessado por perdas, memórias difíceis e a necessidade de reorganizar a própria vida. O título, em tradução livre, remete à "poda de roseiras" e indica, desde o início, que a narrativa se interessa por processos de cura e reconfiguração, mais do que por grandes eventos externos. Desse modo, o filme dialoga com espectadores que buscam histórias sobre afetos e recomeços.

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cinema -depositphotos.com / SeventyFour
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Foto: Giro 10

Qual é o tema central de Rosebush Pruning?

A palavra-chave que guia o filme, Rosebush Pruning, funciona como imagem para falar de amadurecimento emocional e da forma como pessoas lidam com dores antigas. Assim, a metáfora do jardim atravessa as relações que a câmera acompanha. O enredo segue personagens que precisam "podar" lembranças, hábitos e relações para seguir em frente. Em vez de apostar em reviravoltas explícitas, o longa investe em silêncios, gestos cotidianos e pequenas quebras de rotina, compondo um retrato de como o passado permanece presente em cada escolha. Além disso, o filme sugere que o ato de podar também envolve coragem e responsabilidade afetiva.

O tema do filme se articula em torno de três eixos principais: a família, o luto e a reconstrução. A narrativa mostra um ambiente doméstico marcado por conflitos discretos, não necessariamente explosivos, mas constantes. Assim, o espectador percebe tensões acumuladas em cada diálogo ou silêncio. À medida que Rosebush Pruning avança, o público percebe como esse "jardim" de relações precisa de cuidado, rearranjo e, em certos momentos, cortes drásticos para que algo novo possa florescer. Sem entrar em detalhes do enredo, a obra sugere em vez de explicar e convida o público a completar lacunas. Dessa forma, o filme estimula interpretações diversas e debates após a sessão.

Quem são os atores e como o elenco reforça a força dramática do filme?

O elenco de Rosebush Pruning reúne intérpretes brasileiros com experiência tanto no cinema de autor quanto em produções mais populares. Assim, a combinação de trajetórias distintas enriquece a dinâmica em cena. A escolha de atores que dominam a linguagem dos detalhes, dos olhares e das pausas cria um clima contido, em que emoções nem sempre se verbalizam. O filme aposta em desempenhos que valorizam nuances, evita histrionismos e privilegia uma atuação mais naturalista. Além disso, o diretor estimula uma escuta atenta entre os atores, o que intensifica a sensação de intimidade.

Entre os destaques, aparecem atores conhecidos por trabalhos anteriores no cinema independente, acostumados a filmagens de baixo orçamento e ambientes de criação colaborativa. Em Rosebush Pruning, essas trajetórias surgem em cenas em que o improviso controlado ganha espaço e favorece interações espontâneas. Há também a presença de jovens talentos, o que reforça o contraste entre gerações, um dos pontos centrais da obra. A dinâmica entre veteranos e estreantes evidencia a tensão entre tradição e mudança, tema que dialoga diretamente com a metáfora da poda. Além disso, o elenco cria um núcleo familiar que remete a situações reconhecíveis do cotidiano brasileiro.

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  • Interpretações fundamentadas em sutilezas e expressões contidas.
  • Integração entre diferentes gerações de atores em cena.
  • Construção de um núcleo familiar crível e reconhecível.

Qual a importância de disputar o Urso de Ouro para um filme brasileiro?

Estar na competição pelo Urso de Ouro, no Festival de Berlim, coloca Rosebush Pruning em um circuito internacional de grande visibilidade. Além disso, a seleção reforça que a obra dialoga com temas universais, mesmo partindo de um contexto brasileiro e de uma perspectiva regional, já que o diretor nasceu no Ceará. A Berlinale, tradicionalmente aberta a narrativas sociais e olhares autorais, oferece um espaço em que filmes como esse alcançam programadores, críticos e distribuidores de vários países. Assim, o longa atravessa fronteiras e amplia o alcance do cinema nordestino.

Para o cinema brasileiro, a presença de Rosebush Pruning em Berlim em 2025 reforça um movimento contínuo de reconhecimento externo. A indicação ao Urso de Ouro funciona como vitrine para outras produções nacionais e potencialmente abre portas para coproduções e novos projetos do mesmo diretor e de sua equipe. Além disso, esse tipo de conquista fortalece a imagem do país em políticas de fomento e debates sobre cultura. Mesmo sem entrar em desfechos ou pontos específicos da trama, a simples participação já posiciona o longa como peça relevante no cenário audiovisual do país.

Quem é o diretor cearense por trás de Rosebush Pruning?

O responsável por Rosebush Pruning nasceu no Ceará e se formou em um contexto de cinema regional que ganhou força a partir dos anos 2000, com mostras locais, editais e parcerias com produtoras independentes. Assim, o diretor construiu sua trajetória em diálogo constante com a cena cultural nordestina. Sua carreira inclui curta-metragens exibidos em festivais brasileiros e internacionais e, posteriormente, longas que exploram personagens em situações limítrofes, quase sempre ambientados em espaços urbanos ou semiurbanos do Nordeste.

Ao longo da carreira, esse cineasta desenvolveu uma linguagem marcada por planos demorados, atenção à paisagem sonora e foco em personagens em estado de espera, mais do que em ação direta. Em Rosebush Pruning, esses elementos reaparecem, agora combinados a uma abordagem mais madura da dramaturgia. O diretor mantém o interesse em histórias íntimas, mas amplia o alcance temático e aproxima o filme de debates sobre memória, pertencimento e relações intergeracionais. Além disso, ele dialoga com tradições do cinema de arte, porém conserva referências locais e experiências pessoais.

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  1. Primeira fase: curta-metragens experimentais em festivais regionais.
  2. Segundo momento: longas de baixo orçamento com circulação em mostras internacionais.
  3. Etapa atual: presença na competição do Urso de Ouro com Rosebush Pruning, consolidando reconhecimento fora do país.

Dessa forma, Rosebush Pruning chega à Berlinale como síntese de uma caminhada que envolve persistência, parcerias independentes e um olhar constante para as subjetividades brasileiras. O filme se coloca como mais um capítulo da relação entre o cinema do Ceará e os grandes festivais, sem recorrer a grandes efeitos, mas apostando em personagens, símbolos e na força silenciosa de um roseiral em processo de poda. Além disso, a obra reafirma a capacidade do cinema brasileiro de tratar questões íntimas com alcance global.

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Foto: Giro 10
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