As máquinas centenárias do parque gráfico do Estadão ganharam vida cinematográfica para contar uma das histórias mais queridas da literatura infantojuvenil brasileira. Em junho do ano passado, São Paulo se transformou no cenário das filmagens de O Gênio do Crime, adaptação do clássico de João Carlos Marinho que encanta gerações desde 1969.
A escolha da gráfica do jornal como locação principal não foi por acaso. "Era importante encontrar a fábrica de figurinhas com a cara do universo que conceituamos", explica o diretor Lipe Binder. "O parque gráfico é lindo, com grandes máquinas e uma cara industrial. Ficamos tão apaixonados que adaptamos cenas de outras locações para filmar lá".
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A paixão foi contagiante entre todo o elenco. Marcos Veras, que interpreta o detetive Mister Mistério, ficou igualmente encantado. "É cinematográfico. Até brincamos entre nós atores que dá vontade de filmar outras coisas lá. São muitos espaços para muitas histórias", conta.
Uma história atemporal em tempos modernos
O filme acompanha a famosa "turma do Gordo" - João, Edmundo, Berenice e Pituca - interpretados pelos jovens Francisco Galvão, Bela Alellaf, Breno Kaneto e Samuel Estevam. Juntos, eles descobrem a falsificação de figurinhas da Copa do Mundo e decidem investigar o mistério, enfrentando perigos reais em uma grande aventura pela capital paulista.
"O roteiro foi adaptado para os dias atuais", conta Binder, nitidamente empolgado com o projeto. "Na trama, os jovens descobrem que figurinhas dos álbuns da Copa do Mundo estão sendo falsificadas. Para resolver o mistério, enfrentam perigos reais, muita aventura e emoção, com a ajuda de Seu Tomé, dono da fábrica de figurinhas, e Mister Mistério".
O personagem de Veras promete ser um dos destaques. "Ele é um ídolo da garotada, tem um programa na internet que desvenda grandes mistérios. É herói, mas é anti-herói também. Um cara meio errado, inseguro, bebe, mas é divertido e esperto", descreve.
Responsabilidade e nostalgia
Para Tiago Mello, sócio da Boutique Filmes e produtor do projeto, a adaptação carrega um peso emocional. "Eu li a história quando tinha 9 anos e é um livro da vida mesmo. Sempre gostava muito, ficava relendo. Tem uma coisa emocional desde pequeno", revela.
A negociação dos direitos envolveu os três filhos de João Carlos Marinho, já falecido, e representa muito mais que um projeto comercial. "Foi uma coisa natural quando comecei a trabalhar com audiovisual e muito com conteúdo para criança", explica Mello.
Para os envolvidos, o projeto é mais uma prova de que é um momento especial para o cinema nacional. "Encaro como uma enorme responsabilidade. É um livro que tem cinco gerações de fãs e que também marcou a minha infância", reflete Binder. "Vários amigos me mandaram mensagem dizendo que esse livro era o favorito deles. É um privilégio poder contar essa história que marcou a minha geração para os jovens de hoje".
Marcos Veras enxerga na produção uma oportunidade importante para o setor. "Acho de extrema importância produzirmos cinema para crianças e juventude em geral. Isso é formação de público. Temos boas histórias. Nossa literatura infantojuvenil é muito rica", diz.
A obra original, que vendeu mais de um milhão de exemplares em 60 edições, ganha agora uma nova roupagem. "Estamos em um ótimo momento para trazer o público jovem de volta ao cinema para assistir filmes brasileiros de qualidade, e esse filme tem todos os ingredientes que eles gostam: aventura, romance, mistério e suspense", destaca o diretor.
Para Márcio Fraccaroli, diretor geral da Paris Filmes, o projeto representa uma celebração da cultura brasileira. "Estamos felizes em embarcar neste projeto, que homenageia a cidade de São Paulo e celebra um clássico da literatura infantojuvenil brasileira. Temos certeza de que não só fãs do livro, mas também os fãs de boas histórias irão amar a adaptação", diz.