Dark Horse: Lei Rouanet pode ser usada para longa-metragem?

Filme sobre Jair Bolsonaro vira alvo de questionamentos sobre financiamento e possível uso da Lei Rouanet

13 mai 2026 - 21h47
(atualizado às 21h48)
Jim Caviezel como Bolsonaro em Dark Horse
Jim Caviezel como Bolsonaro em Dark Horse
Foto: Reprodução/Instagram

Em meio ao escândalo do Banco Master, o filme Dark Horse, produção de ficção inspirada no ex-presidente Jair Bolsonaro, passou a ser alvo de questionamentos sobre possíveis fontes de financiamento e sobre a possibilidade de utilização da Lei Rouanet.

O longa pode ser beneficiado pela Lei Rouanet?

Apesar das críticas feitas por Flávio Bolsonaro à Lei Rouanet, o incentivo não poderia ser utilizado para financiar Dark Horse. Isso porque, entre os segmentos previstos pela legislação, estão contempladas produções cinematográficas e videofonográficas apenas de curta e média metragem, além de ações de preservação e difusão do acervo audiovisual. Como Dark Horse é um longa-metragem, ele não se enquadraria.

Publicidade

Investimento milionário

O financiamento, que já era alvo de denúncias, ganhou mais destaque após o site The Intercept divulgar que o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes financeiras que chegaram a R$ 50 milhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), poderia ter financiado a produção. A estreia mundial do longa está prevista para 11 de setembro de 2026.

Dirigido pelo cineasta norte-americano Cyrus Nowrasteh, o filme tem Jim Caviezel, conhecido por A Paixão de Cristo, no papel principal.

Um áudio divulgado nesta quarta-feira, 13, mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pedindo dinheiro a Vorcaro para o financiamento do filme. O conteúdo foi publicado pelo Intercept Brasil.

Ouça o áudio de Flávio enviado a Vorcaro com cobrança para filme de Bolsonaro #shorts
Video Player

Em entrevista, Flávio negou ter solicitado recursos ao banqueiro. "É mentira, de onde você tirou isso?", afirmou, antes de rir e deixar a coletiva. Segundo a reportagem, o áudio é datado de 8 de setembro de 2025, poucos dias antes da condenação de Jair Bolsonaro pela trama golpista. Na gravação, Flávio menciona um saldo pendente e alerta para o risco de paralisação da produção. As conversas indicariam que Vorcaro teria se comprometido a destinar R$ 120 milhões ao projeto.

Publicidade

Em nota enviada à imprensa, o senador declarou: "Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet". As apurações, no entanto, levantaram suspeitas sobre possíveis conexões indiretas com recursos públicos.

Dinheiro público

A reportagem revelou que Karina Ferreira da Gama, produtora do longa, recebeu mais de R$ 100 milhões em contrato firmado com a prefeitura de São Paulo. Segundo o Intercept, Karina é responsável pela produtora Go Up Entertainment e dona do CNPJ do Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada à gestão do prefeito Ricardo Nunes.

De acordo com a investigação, a ONG foi contratada para fornecer internet Wi-Fi a comunidades de baixa renda mesmo sem experiência prévia na área. A denúncia aponta ainda que, dos R$ 100 milhões previstos em contrato, R$ 26 milhões teriam sido pagos antes da prestação do serviço. O texto também compara os custos do serviço com os praticados pela Prodam: enquanto o ICB teria cobrado R$ 1,8 mil por ponto de internet, a empresa municipal teria realizado o mesmo serviço por R$ 230.

Além disso, o ministro Flávio Dino intimou os deputados Bia Kicis, Mário Frias e Marcos Pollon para prestarem esclarecimentos sobre a suposta destinação de emendas Pix ao filme. Segundo ofício citado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), a ONG Academia Nacional de Cultura, também ligada à produtora, teria recebido R$ 2,6 milhões em emendas parlamentares enviadas por nomes como Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS).

Publicidade

Sobre o filme

O filme retrata a campanha presidencial de 2018 e adota uma narrativa heroica sobre Jair Bolsonaro. O roteiro é baseado no texto "Capitão do Povo", escrito pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), e acompanha o então candidato durante sua internação após a facada sofrida em Juiz de Fora.

Enquanto passa por cirurgias, o personagem relembra episódios da própria vida em flashbacks. A trama também inclui elementos fictícios, como o enfrentamento a um traficante rico nos anos 1980 e novas tentativas de assassinato.

Fonte: Portal Terra
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se