O jornalista italiano e político de direita Mario Adinolfi foi colocado em prisão domiciliar nesta quarta-feira (8) por suspeita de fraude e evasão fiscal a pedido do Ministério Público de Roma.
O caso diz respeito a um esquema de "apostas coletivas" no qual se prometiam altos retornos aos participantes, vinculados a bets esportivas.
Ele também é suspeito de envolvimento em um esquema de evasão fiscal que soma 400 mil euros (R$ 2,5 milhões).
A investigação, conduzida por agentes da Seção de Polícia Judiciária e da Unidade de Polícia Econômico-Financeira da Guarda de Finanças, teve início após uma série de denúncias apresentadas por pessoas que haviam confiado dinheiro ao suspeito, acreditando participar de um grupo de apostas conhecido como "Scommessa Collettiva" ("Aposta Coletiva"), idealizado e promovido por meio das redes sociais.
Segundo comunicado do MP de Roma, a operação atraiu um número significativo de clientes que, influenciados pela credibilidade de Adinolfi, pela promessa de retornos percentuais elevados e garantidos (muito acima das taxas de mercado) e pelo suposto uso de algoritmos e estratégias de aposta infalíveis, foram induzidos a entregar quantias enormes de dinheiro.
Uma análise das transações financeiras nas contas correntes do jornalista nos últimos cinco anos revelou o recebimento de mais de 4,7 milhões de euros (R$ 27,6 milhões). Apenas uma parte desse valor estava ligada a atividades de apostas esportivas, enquanto a maior parte do fundo recebido teve destinos variados, como transferências a terceiros, gastos pessoais com artigos de luxo e pagamentos de viagens.
Adinolfi é fundador e líder do partido ultraconservador "Povo da Família" (PdF) e também jogador de pôquer de alto nível. Ele é conhecido por protagonizar ações polêmicas: no mês passado, compareceu à Parada do Orgulho Gay de Roma portando uma grande bandeira de Israel, atitude que lhe rendeu uma enxurrada de insultos.