"Só quem nunca passou por psicanálise se identifica com suas conquistas." A frase do psicólogo e escritor argentino Gabriel Rolón provoca justamente porque desmonta a ideia de que sucesso, conquistas e reconhecimento são suficientes para definir quem somos.
Para Rolón, existe algo muito mais profundo por trás da aparência de felicidade e realização. E talvez seja justamente isso que a psicanálise tente revelar.
Autor de livros baseados em conversas reais, muitos deles adaptados para cinema e televisão, como 'Felicidade', 'Luto' e 'Solidão', o psicólogo defende uma visão bastante intensa sobre a dor humana.
Segundo ele, o trabalho do analista não é oferecer respostas prontas ou simplesmente aliviar o sofrimento. "O analista não compreende o paciente, ele o acompanha até a beira do abismo", afirma.
A reflexão se aprofunda quando Rolón compara diferentes linhas da psicologia.
"A escola americana de psicologia desenvolveu uma psicoterapia que busca o bem-estar. Nós, analistas freudianos, renunciamos a isso para buscar a verdade que o paciente desconhece."
Em outras palavras, a psicanálise não tenta apenas fazer alguém 'se sentir melhor'. Ela busca compreender o que existe de mais escondido dentro do indivíduo — inclusive dores, medos e traumas que muitas vezes a própria pessoa evita enxergar.
E, para Gabriel Rolón, o sofrimento faz parte da própria experiência de existir.
"O ser humano já é traumático por si só, mesmo se não tiver tido problemas na infância. Tornar-se humano gera dores ...
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