Google alerta para menor qualidade de resultados de busca na Europa para evitar multas

8 set 2026 - 11h20
Resumo
Para cumprir a Lei dos Mercados Digitais da UE e evitar multas de até 5% do seu faturamento global, o Google alterou seus resultados de busca na Europa. A empresa alerta que a medida representa a maior queda na qualidade do serviço em 29 anos, pois favorece intermediários e sites de comparação em detrimento de empresas locais, retirando recursos úteis como preços em tempo real. A gigante tecnológica afirma que a mudança prejudica a experiência do usuário e reduz o tráfego direto para negócios.

O Google, da Alphabet, implementou ‌nesta terça-feira mudanças em seus resultados de busca online na Europa para atender às exigências dos órgãos antitruste da União Europeia, uma medida que, segundo a empresa, prejudicará a experiência dos usuários e aumentará custos para as empresas.

As mudanças representam a maior redução na qualidade do serviço do mecanismo de busca mais popular do mundo em ⁠seus 29 anos de história, afirmou um representante do Google à Reuters.

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O Google afirmou ‌que a UE apresentou as mudanças como uma forma de nivelar o campo de atuação para as empresas anunciarem. No entanto, o Google disse que percebe que, ‌na realidade, as mudanças favorecem sites de comparação ‌de preços, também conhecidos como serviços de busca vertical (VSS, na sigla em inglês), ⁠ligados a setores como hotéis, companhias aéreas e restaurantes, como a Expedia ou o Booking.com.

Esses sites ganham maior destaque nos resultados de busca em relação às empresas desses setores que aparecem listadas apenas com um link para seus sites, números de telefone e endereço.

A gigante tecnológica dos EUA foi multada em 460 milhões de euros em ‌julho por favorecer seus próprios serviços em resultados de compras, hotéis, transporte e esportes ‌nas buscas, violando a Lei ⁠dos Mercados Digitais (DMA, na ⁠sigla em inglês) da UE, que busca conter o poder das grandes empresas de tecnologia.

A Comissão ⁠Europeia concedeu à empresa 60 dias para ‌cumprir a DMA, sob pena ‌de arcar com multas periódicas de até 5% de seu faturamento mundial total.

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Os resultados reformulados destacarão um mecanismo de busca especializado no topo da página, seguido por outros dois com menos detalhes, enquanto um carrossel de hotéis, companhias aéreas ⁠e restaurantes, por exemplo, ficará abaixo deles, sem recursos-chave como preços em tempo real. As classificações serão determinadas pelo algoritmo do Google.

"Para cumprir os requisitos da DMA, estamos fazendo mudanças significativas na Pesquisa na Europa", disse Nick Fox, vice-presidente sênior de conhecimento e informação do Google, em comunicado ‌à Reuters.

"Essas mudanças prejudicam a experiência do usuário para os europeus -- favorecendo intermediários online em detrimento das empresas locais e removendo recursos úteis com os quais as ⁠pessoas contam no dia a dia. Usuários fora da UE não serão afetados por essas mudanças", disse.

O Google afirmou que mudanças anteriores para cumprir a DMA levaram a uma queda de 30% no tráfego de reservas diretas e gratuitas para empresas europeias, e espera-se que as últimas mudanças as afetem.

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A empresa informou que testou as mudanças com milhões de usuários na Europa, o que revelou um alto nível de insatisfação, já que eles precisam redigitar as consultas para encontrar o que desejam.

O Google acumulou multas antitruste da UE no valor total de 10,38 bilhões de euros ao longo de quase duas décadas.

As multas da UE geraram críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, que ameaçou iniciar uma investigação sobre o "roubo" que o bloco estaria cometendo contra as empresas norte-americanas.

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