Na última semana de abril, Gana expulsou de seu território todas as empresas estrangeiras que operavam no mercado do ouro. A situação havia se tornado insustentável. Não eram apenas as "consequências desastrosas econômicas, sanitárias e ambientais" da mineração artesanal (que disparou nos últimos anos), nem as contas deterioradas do Estado ganês; o boom da exploração do ouro estava corroendo outras indústrias nacionais.
O exemplo mais claro é o do cacau.
O que está acontecendo com o cacau?
Só no último ano, Gana (o segundo maior produtor de cacau do mundo) perdeu 20% de sua produção total. E isso ocorreu em um contexto global em que as más colheitas, pragas e as mudanças climáticas elevaram os preços do cacau a níveis históricos: a tonelada ultrapassou os 10 mil dólares na bolsa de Nova York.
O problema é que, para os agricultores ganeses, o ouro era mais rentável no curto prazo. A chegada de operadores chineses mudou as regras do jogo há alguns anos e as consequências começaram a aparecer agora: o cacau já não era a "galinha dos ovos de ouro" para a indústria do país africano; mas ainda era muito mais sustentável do que o galamsey: revolver toneladas e toneladas de terra de forma quase artesanal, ilegal, perigosa e pouco regulada para vender o ouro que ali encontrassem. A Costa do Marfim (o maior produtor de cacau do mundo) já começa a sofrer com o mesmo problema.
Onde alguns veem um problema, outros enxergam uma oportunidade. E por "outros" estamos falando dos ...
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