Muitas vezes, temos a sensação de que estamos esvaziando o significado da palavra "histórico" de tanto usá-la. E, no entanto, aqui estou: prestes a dizer que os modelos meteorológicos mostram uma convergência "sem precedentes" na mesma direção: um El Niño extremamente forte antes do fim de 2026.
Se o que dizem os modelos se confirmar, poderemos estar diante do El Niño mais intenso em, pelo menos, 140 anos. Então, sim, "histórico" é a palavra apropriada.
Mas, antes de tudo, vamos revisar o que é o ENSO. É a sigla em inglês para El Niño-Oscilação Sul e se refere a um fenômeno climático cíclico (embora muito irregular) que tem grandes efeitos sobre o clima global. Se excluirmos as estações do ano, trata-se da principal fonte de variabilidade climática anual de todo o planeta.
Durante a fase quente (ou seja, durante o El Niño), a ausência de ventos alísios fortes que resfriem a superfície do Pacífico equatorial faz com que a temperatura dessa região do oceano dispare. É isso que, por meio de diferentes conexões atmosféricas, altera todos os sistemas meteorológicos do mundo.
Os efeitos são variados e mudam conforme a região ("condições mais secas do que o normal em determinadas partes do mundo, enquanto em outras provoca mais precipitação. Alguns países precisam lidar com secas severas e outros com chuvas torrenciais", diz a AEMET). Mas, quando falamos de temperaturas, não há dúvida: El Niño é sinônimo de calor.
Embora, claro, isso seja em um ENSO normal. Se falarmos do evento ENSO...
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