Astrônomos captam sinal de misterioso ‘megalaser’ a 8 bilhões de anos-luz; entenda

Fenômeno foi identificado por radiotelescópio na África do Sul e pode ajudar a explicar a formação e a evolução das galáxias

13 abr 2026 - 18h43
(atualizado às 21h20)
Ilustração de uma galáxia distante, a 8 bilhões de anos-luz (em vermelho), ampliada por uma galáxia em disco em primeiro plano, sem relação direta, resultando em um anel vermelho. Ao dividir a luz de rádio em diferentes cores, como faz um prisma, revela-se o gigamaser de hidroxila (linha colorida em arco-íris no canto superior direito)
Ilustração de uma galáxia distante, a 8 bilhões de anos-luz (em vermelho), ampliada por uma galáxia em disco em primeiro plano, sem relação direta, resultando em um anel vermelho. Ao dividir a luz de rádio em diferentes cores, como faz um prisma, revela-se o gigamaser de hidroxila (linha colorida em arco-íris no canto superior direito)
Foto: Inter-University Institute for Data-Intensive Astronomy (IDIA)

Um sinal cósmico descrito pelos cientistas como um “laser natural” foi identificado após viajar cerca de 8 bilhões de anos-luz até alcançar a Terra. A detecção dos astrônomos ocorreu por meio do radiotelescópio MeerKAT, localizado na África do Sul, e pode contribuir para o entendimento de como galáxias se formam, evoluem e interagem ao longo do tempo.

O achado é resultado do trabalho de uma equipe internacional de pesquisadores vinculados à Universidade de Pretória, que investigava emissões de rádio vindas de regiões muito distantes do universo. De acordo com os especialistas, trata-se de um dos sinais mais energéticos já registrados dentro dessa categoria.

Publicidade

As análises apontam que a emissão teve origem em um sistema de galáxias em fusão denominado “HATLAS J142935.3–002836”, situado a aproximadamente 8 bilhões de anos-luz do planeta Terra.

Durante o processo de fusão entre galáxias, grandes quantidades de gás e poeira são comprimidas, o que intensifica a atividade molecular e pode dar origem a emissões extremamente luminosas no espaço, segundo explicam os astrônomos.

O fenômeno foi classificado como um megamaser de hidroxila -- uma emissão natural que opera de maneira semelhante a um laser, mas na faixa de rádio.

Esse tipo de sinal surge quando determinadas moléculas, como a hidroxila, amplificam radiação na faixa das micro-ondas, produzindo emissões extremamente intensas, que podem ser milhões ou até bilhões de vezes mais brilhantes do que aquelas observadas em regiões menores do universo.

Publicidade

Segundo os pesquisadores, a força do sinal indica que ele pode integrar uma categoria ainda mais incomum, conhecida como gigamaser, considerada ainda mais potente.

A detecção só foi possível graças a um fenômeno previsto pela teoria da relatividade de Albert Einstein, chamado lente gravitacional. Nesse caso, a gravidade de uma galáxia situada entre a Terra e a fonte do sinal atua como uma lente natural, curvando o espaço-tempo e ampliando a radiação emitida por objetos muito distantes.

Esse efeito de amplificação permitiu que o sinal chegasse até a Terra com intensidade suficiente para ser captado pelos instrumentos. Para os cientistas, observações desse tipo podem facilitar a identificação de outros sistemas galácticos em processo de fusão e aprofundar os estudos sobre a evolução do universo.

Fonte: Portal Terra
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações