Cientistas da Universidade Cornell revelaram, em estudo publicado na revista Science, que o vírus do molusco contagioso — causador de lesões benignas na pele — roubou o gene humano BC200 há cerca de 100 mil anos. O patógeno, parente distante da varíola que afeta apenas humanos, incorporou esse pedaço de DNA ao seu próprio arsenal biológico durante seu processo de replicação celular, utilizando o material genético do hospedeiro contra a própria espécie.
Embora a ciência já soubesse que alguns vírus são capazes de pegar material genético emprestado de seus hospedeiros, a descoberta recente chama a atenção por atingir diretamente a nossa espécie. Uma equipe de cientistas revelou um sequestro genético ocorrido há 100 mil anos, no qual um patógeno muito comum se apropriou de um dos nossos genes para incorporá-lo ao seu próprio arsenal biológico.
Como esse vírus roubou o nosso DNA?
O responsável por essa façanha genética não é outro senão o vírus do molusco contagioso, um parente distante da varíola. Esse micro-organismo, que afeta exclusivamente seres humanos e aparece com bastante frequência em crianças, provoca pequenas lesões benignas na pele.
Ao analisar bases de dados genômicos, Cedric Feschotte, biólogo da Universidade Cornell, e sua equipe identificaram a presença de um gene humano batizado de BC200 no código do invasor. O estudo, publicado na prestigiada revista Science, comprova que esse roubo aconteceu há cerca de 100 mil anos. Em entrevista ao The New York Times, o pesquisador comentou:
"Não consigo acreditar que ninguém tenha percebido isso antes de nós, porque qualquer pessoa poderia ter encontrado isso em questão de minutos."
A própria mecânica de replicação viral explica esse comportamento digno de um "cleptomaníaco biológico". Quando um vírus invade uma célula, ele sequestra toda a maquinaria interna para se multiplicar. Esse processo acelerado gera, por vezes, erros de montagem, e pequenos pedaços do DNA do ...
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