Rappers viram heróis de HQ em exposição no Museu das Favelas
Mano Brown é representado como Pantera Negra; Negra Li personifica Tempestade, entre outras recriações de quadrinhos
Já imaginou Emicida representado como Homem Aranha em uma capa de história em quadrinhos? E a pioneira do rap nacional, Sharylaine, como Capitã Marvel? O ilustrador Wagner Loud pensou nessas e em outras imagens, expostas como quadros a partir de hoje no Museu das Favelas, em São Paulo.
“Era só uma brincadeira, na real. Desenhei o primeiro, o Emicida, postamos despretensiosamente, e muita gente curtiu, inclusive o Emicida, que mandou mensagem. Ele até brincou que foi desenhado de colã”, conta Loud.
Moleque de quebrada, aluno de escola pública, o artista é cria de Pirituba, área do grupo RZO, e cresceu ouvindo rap. Inevitável a influência, inclusive da mãe, fã do gênero. Loud grafitou, pichou, apurou a técnica, trabalhou na Turma da Mônica e atualmente cria capas de discos, cartazes, posters.
A sacada para criação das imagens da exposição foi a seguinte: se rappers são heroínas e heróis da periferia, por que não recriar suas imagens como super-heróis? A ideia rendeu mais de 40 capas. Mas por que capas?
Na impossibilidade de fazer históricas em quadrinhos, a opção pela capa causa impacto e permite inserir elementos como datas, nomes de discos, versos de música. Emicida aparece dizendo “a rua é nóis”.
Primeiras capas são de 2018
A produção das capas começou em 2018. Gerou burburinho, tanto entre fãs de rap, quanto de HQ. A produção chegou ao músico João Gordo, que expôs algumas imagens em sua loja. Rappers representados colaram pra conferir, como Black Alien, MV Bill e Dexter. Algumas recriações viraram camisetas.
Eram 22 capas. O artista produziu mais 23 e diz que “dá pra fazer muito mais”. Uma seleção delas estará exposta em sala arquitetura clássica, como é o prédio do Museu das Favelas. Loud acha engraçado o contraste entre o local da exposição e a imagem pop dos quadrinhos.
O designer não foge da pergunta inevitável: se o rap é masculino e a maioria dos super-heróis, também, como fica o equilíbrio entre rimadoras e rimadores?
“A gente colocou uma quantidade mais ou menos equivalente entre homens e mulheres, mas, realmente, tem mais homens. Sempre vamos escutar que dá para colocar mais mulheres, e dá mesmo, mas o projeto é contínuo, vai crescendo, quero colocar artistas como Tasha e Tracie”, explica.
Exposição abre com bate-papo e show
O evento de abertura no Museu das Favelas começa às 11h30 com um bate-papo com os criadores da exposição, Wagner Loud e o youtuber Load. Eles vão falar sobre o processo de criação, detalhes das obras e o que mais o público trouxer pra conversa.
Às 12h20, acontece um pocket show com Ashira, cantora, compositora e produtora musical de Diadema. Reconhecida por sua colaboração em Quadros, com o rapper BK, e pela obra colaborativa Rouff, com Tasha e Tracie, em suas criações autorais aborda problemas da quebrada na perspectiva de mulher periférica fazendo rap.
“O legal é que vai rolar uma abertura, um papo e um show. A exposição não envelhece. É a mesma ideia que a gente teve lá atrás, que vai se modificando, entrando novas imagens. Toda vez que você olha de novo, acaba pegando uma referência nova. Eu mesmo me surpreendo”, diz Loud.
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