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Veja o que a indústria da carne não quer que você saiba

Comer carne é contribuir com uma série de problemas, como a exploração animal e a devastação ambiental.

20 mar 2023 - 05h00
(atualizado às 15h16)
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Foto: CanvaPro

Não é novidade para ninguém que o brasileiro trata a carne como um alimento muito valioso. Um grande exemplo é toda essa conversa em relação ao preço da picanha, ao acesso dos mais pobres a esse ‘’corte nobre’’. Ter carne na mesa, para muita gente, significa ter comida, fartura.

A carne não é tratada como uma mera fonte de proteína, com toda certeza não. Hoje ela cumpre um papel social e cultural bem estabelecido. Estamos habituados a esse consumo de uma maneira profundamente enraizada. Poucos de nós temos informações sobre o processo que a carne passa até chegar às nossas mesas, e toda problemática envolvida em sua cadeia de produção.

Não nos atentamos ao processo, pois se fossemos educados a olhar para o sofrimento animal e acompanhar sua morte de perto, seríamos, provavelmente, sensibilizados e pensaríamos mais reflexivamente o nosso consumo animal.

Um bom exemplo de como somos criados para não enxergar como os animais são explorados e mortos é a política dos abatedouros, que em sua maioria são ambientes fechados, com acesso restrito, não sendo possível nem filmar dentro. É importante que as pessoas não vejam o que rola lá dentro.

Os abatedouros estão fechados, mas as carnes penduradas nos açougues (como produto), ou embaladas no isopor, estão mais do que expostas para podermos consumir sem culpa. Não temos a referência do animal, não fazemos nenhum tipo de reflexão ao consumir este produto e isso é muito bem pensado.

O processo inicial (nascimento do bezerro) da produção de carne já é completamente cruel e desumano, veja essa passagem retirada do próprio site da EMBRAPA: ‘’Na desmama tradicional, o bezerro é separado da mãe e levado a locais distantes, para não haver nenhum tipo de contato.’’

Além disso, eles concluem que, para minimizar o estresse, é comum o criador colocar algumas vacas (que não são suas mães) junto aos bezerros para servirem de "madrinhas". Prática comum na indústria da carne. A indústria da carne é crueldade do começo ao fim.

Só para termos uma noção, no mundo todo são mortos por dia, mais de 153 milhões de animais (carne). É uma realidade cruel, desnecessária e devastadora. Acreditamos que, no futuro, iremos olhar para os 74 bilhões de animais mortos anualmente, e vamos nos questionar como fomos capazes de agir de tal maneira.

Só no Brasil, morrem em média 14 milhões de animais por dia e por segundo 191 animais são abatidos. Imagina a cadeia de exploração e sofrimento. Em relação aos bovinos, morrem anualmente cerca de 32 milhões só no Brasil. São animais que sentem tudo da mesma forma que sentimos (seres sencientes).

A indústria da carne além de criar os animais e abatê-los sem pudor, tem um impacto ambiental terrível, uma indústria que contribui muito para a devastação de diversos biomas e ecossistemas.

Em relação ao consumo de água na pecuária, um dado chama a atenção: para a produção de 1kg de carne bovina são gastos 15,5 mil litros de água, e fomos educados que para economizar água precisamos tomar banhos curtos, sermos econômicos no dia a dia. Não adianta de nada comer carne e tomar banhos curtos.

É muito comum os veganos serem associados ao consumo de soja. Mas você sabia que a maior parte da soja plantada no mundo é destinada à ração animal?

Conforme a WWF, 79% da soja plantada no mundo é destinada à pecuária. Além disso, conforme o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a pastagem de animais (carne bovina) ocupa cerca de 75% de todo desmatamento de terras públicas na Amazônia.

Sem contar o impacto ambiental relacionado aos gases de efeito estufa emitidos pelos ruminantes, como o metano.

É mais do que fundamental a maior parte da população descobrir o quão problemático é a produção de carne. O consumo de carne contribui para um mundo mais injusto, degradado e insensível. E a indústria não vai te mostrar isso.

Vegano Periférico Leonardo e Eduardo dos Santos são irmãos gêmeos, nascidos e criados na periferia de Campinas, interior de São Paulo. São midiativistas da Vegano Periférico, um movimento e coletivo que começou como uma conta do Instagram em outubro de 2017. Atuam pelos direitos humanos e direitos animais por meio da luta inclusiva e acessível, e nos seus canais de comunicação abordam temas como autonomia alimentar, reforma agrária, justiça social e meio ambiente.
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