Paraisópolis chega aos 103 anos pautando o noticiário
Apesar das notícias negativas, a cobertura da imprensa tem servido, em vários casos, para ajudar a proteger a comunidade
Aumento das notícias constrói representatividade midiática. Ao mesmo tempo em que expõe situações negativas, serve de alerta e freio em casos de violência e distorção de informações.
Em 2024, aumentou o número de notícias sobre a favela de Paraisópolis. Os fatos mostram o cotidiano alterado desde a morte de nove jovens no baile da DZ7, há quase cinco anos. Muitas vezes, a cobertura da imprensa tem servido de alerta e freio à violência contra a comunidade.
Muito se falou sobre as audiências do processo sobre as nove mortes. A lembrança, apesar de dolorosa, é necessária. Mantém a memória coletiva. As sessões no Fórum são longas, poucas testemunhas conseguem ser ouvidas, as oitivas são realizadas com intervalos de meses.
A próxima será em 2025 e esperaremos anos para alguma decisão dos tribunais. Na comunidade, os efeitos diretos e indiretos são sentidos e noticiados, como a operação policial um dia antes de audiência sobre o Massacre de Paraisópolis.
Em junho, o Visão do Corre publicou reportagem sobre o clima de tensão na favela. Em julho, em alto astral, entrevistamos jogadoras olímpicas de rugby, crias da comunidade. Uma vitória enorme disputarem os Jogos Olímpicos, embora o projeto social de onde saíram passar por dificuldades.
A imprensa noticiou também que o 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, que atua na área da favela de Paraisópolis, é o mais letal da última década na cidade de São Paulo, responsável por 337 mortes – quase três por mês. Notícia triste, mas esclarecedora.
A escalada de violência levou à formação de um comitê em defesa de Paraisópolis, envolvendo parlamentares, ativistas e representantes da comunidade. O grupo “exige” atuação das forças policiais pautada pelo profissionalismo e respeito aos limites legais e aos direitos humanos. E quer que violações sejam devidamente apuradas. Virou notícia, fortaleceu o corre.
Com o famoso baile funk da DZ7 suspenso, o cotidiano da comunidade também é alterado por notícias que não tem relação com ele. No início de setembro, lideranças de Paraisópolis contestaram a informação de que o Primeiro Comando da Capital (PCC) havia expulsado moradores de uma obra de saneamento.
Ao completar 103 anos, a favela vive um momento delicado, histórico, e cujos desfechos continuarão sendo decisivos. Porém, diferente da maior parte das vezes – e descontado o sensacionalismo de parte da imprensa – o fato de virar notícia, mesmo que negativa, pelo menos em alguns casos, nos últimos meses, acaba sendo positivo.
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