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Carnavalescos são contra “cidade provisória” em Porto Alegre

Ela seria construída no Porto Seco, onde existem barracões de escolas de samba. Representantes alegam falta de estrutura

21 mai 2024 - 07h50
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Resumo
A possibilidade de instalação de uma “cidade provisória” era discutida internamente na prefeitura de Porto Alegre, mas vazou para a imprensa. O acampamento seria construído no Porto Seco, onde estão instaladas escolas de samba. A posição contrária dos carnavalescos foi comunicada ao prefeito Sebastião Melo (MDB) no último sábado, 18 de maio. Ele teria se comprometido a priorizar outros locais.
Representantes de escolas de samba do Porto Seco em reunião com o prefeito Sebastião Melo em 18 de maio
Representantes de escolas de samba do Porto Seco em reunião com o prefeito Sebastião Melo em 18 de maio
Foto: Kelly Ramos

Representantes de escolas de samba instaladas no Porto Seco, na periferia da zona norte de Porto Alegre, são contra a instalação do que está sendo chamado de “cidade provisória”, que abrigaria dez mil pessoas. Eles alegam falta de estrutura e de segurança.

A posição foi comunicada ao prefeito Sebastião Melo (MDB) no último sábado, 18 de maio, em reunião com integrantes de grupos carnavalescos. O prefeito teria prometido que a área não seria prioritária, embora não descarte a possibilidade.

A assessoria do prefeito não confirma a mudança de prioridade, conforme alegam carnavalescos presentes à reunião. “Esse assunto está em debate. O governo está estudando várias alternativas e, tão logo tenhamos definição, será amplamente comunicado. Por ora, são possibilidades”.

Segundo o vice-presidente da União das Escolas de Samba de Porto Alegre (Uespa), André Nunes, “aqui seria o último lugar que o prefeito procuraria. A gente acredita que nossa mobilização foi uma vitória”.

Manifestação coletiva

“O local não é apropriado em função do frio, da falta de luz, de água, de segurança. A gente acha que as pessoas estão passando por problemas, e colocar aqui em barraquinhas não é a melhor coisa do mundo”, diz Kelly Ramos, presidente da União das Entidades Carnavalescas de Todos os Grupos e Abrangentes de Porto Alegre (UECGAPA).

Um dos barracões do Porto Seco. Local recebe e distribui doações, mas não tem infraestrutura para receber moradores
Um dos barracões do Porto Seco. Local recebe e distribui doações, mas não tem infraestrutura para receber moradores
Foto: Cesar Lopes/PMPA

Segundo André Nunes, da Uespa, “não fomos consultados. Chegaram aqui para fazer uma vistoria sem a gente saber. Parece que não estávamos fazendo nada, que não queríamos acolher as pessoas”. O Porto Seco é local de coleta e distribuição de doações. Quem não pode buscar, recebe em casa em locais como Sarandi, Santa Rosa, Cohab e Nazaré.

“As pessoas não têm nem como buscar. Tem desabrigados, e os atingidos indiretamente, que não conseguem trabalhar, gente que trabalha no comércio, e mesmo autônomos, como cabeleireiros”, descreve Nunes.

O que é o Porto Seco?

Localizado no bairro Rubem Berta, zona norte e periférica, o Porto Seco tem vinte anos. No local estão instalados 15 barracões de escolas de samba e a pista de desfiles, onde é realizado o Carnaval de Porto Alegre. O complexo é patrimônio cultural estadual.

Vista aérea do Porto Seco. Barracas seriam instaladas nos locais sem construção, onde o vento e frio chegam sem barreiras
Vista aérea do Porto Seco. Barracas seriam instaladas nos locais sem construção, onde o vento e frio chegam sem barreiras
Foto: Marcelo Viola/PMPA

Há um descampado, onde seriam instaladas barracas para dez mil pessoas. Além da falta de estrutura, como esgoto, que só existe para os barracões, há o frio e a presença de facções criminosas no entorno – Bala na Cara, Antibala e Mano são algumas delas.

Existem outras dificuldades, como transporte público escasso. Carros de aplicativos dificilmente aceitam corridas para o local.  “Não teria como implementar uma cidade aqui”, diz André Nunes.

Dez escolas de samba estão com barracões abertos para o socorro às vítimas. Além deles, um está ocupado com animais, outro serve de local para distribuição e coleta, três são depósitos. Um poderia virar abrigo. Nele caberiam 300 pessoas, mas precisa instalar infraestrutura.

Quem falou em “cidade provisória”?

A possibilidade de instalação de uma “cidade provisória” era discutida internamente na prefeitura de Porto Alegre, mas acabou vazando para a imprensa.

Prédio do INSS no Centro Histórico de Porto Alegre. Prédio vazio foi sugerido pelos carnavalescos para ser ocupado por desabrigados
Prédio do INSS no Centro Histórico de Porto Alegre. Prédio vazio foi sugerido pelos carnavalescos para ser ocupado por desabrigados
Foto: Ricardo Giusti/PMPA

Um dos motivos da urgência em realocar desabrigados é a necessidade das escolas, onde estão acolhidos, voltarem a funcionar.

Na reunião com o prefeito, carnavalescos sugeriram a ocupação de prédios desocupados em Porto Alegre. Kelly Ramos listou alguns, como o edifício vazio do INSS, com vinte andares, no centro.

Citou ainda o antigo hospital Parque Belém Velho e o Amparo Santa Cruz, locais que têm quartos e banheiros. Outra possibilidade seria a Casa dos Brigadianos, além do Centro Vida.

Fonte: Visão do Corre
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