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Calorão perigoso: como evitar sustos e proteger o coração

Altas temperaturas exigem esforço extra do coração. Entenda os riscos de infarto e veja as orientações do Dr. Luiz Bortolotto

20 jan 2026 - 13h04
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As altas temperaturas que têm atingido a capital paulista e diversas regiões do Brasil acenderam um sinal de alerta vermelho nas unidades de saúde. Mais do que um simples desconforto térmico ou noites mal dormidas, o calor extremo representa um desafio fisiológico real, especialmente para a saúde do coração.

Veja quais cuidados tomar no calor
Veja quais cuidados tomar no calor
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

O InCor (Instituto do Coração do HCFMUSP), referência nacional em cardiologia, emitiu orientações importantes para a população. Segundo a instituição, o "calorão" impõe um esforço adicional ao organismo que pode ser o gatilho para desidratação severa, exaustão térmica e, nos casos mais graves, o agravamento súbito de doenças crônicas.

Para quem já possui histórico cardíaco, o cuidado deve ser redobrado. Mas, afinal, por que o sol forte afeta tanto o sistema cardiovascular? A resposta está na forma como o nosso corpo tenta se defender do aquecimento.

Esforço extra do coração no calor

O sistema cardiovascular é o principal responsável por adaptar o corpo ao ambiente quente. De acordo com especialistas do InCor, para manter a temperatura interna estável e evitar o superaquecimento, o organismo ativa mecanismos de dissipação de calor.

Dois processos principais ocorrem:

  1. Aumento da sudorese: O corpo produz suor para resfriar a pele.

  2. Vasodilatação: Os vasos sanguíneos se dilatam (alargam) para permitir que o sangue circule mais próximo da superfície da pele, liberando calor para o ambiente.

A vasodilatação pode levar a uma queda brusca da pressão arterial. Para compensar essa queda e garantir que o sangue continue chegando a todos os órgãos, o coração precisa bater mais rápido e com mais força.

Riscos: de tonturas ao infarto

Em dias normais, esse ajuste é bem tolerado. Porém, em situações de calor extremo, o sistema pode entrar em colapso. Os efeitos imediatos listados pelo InCor incluem tontura, náusea, dor de cabeça intensa, confusão mental e até perda de consciência (desmaio).

O perigo maior reside nas complicações agudas. O Prof. Dr. Luiz Aparecido Bortolotto, Diretor da Unidade Clínica de Hipertensão do InCor, explica a gravidade do cenário para pacientes vulneráveis.

"Em pessoas com doenças cardiovasculares, essas alterações podem agravar sintomas e aumentar o risco de mal-estar, falta de ar, palpitações e, em situações extremas, infarto ou AVC (Acidente Vascular Cerebral)", alerta o especialista.

Além do coração, o calor excessivo compromete o funcionamento de outros órgãos vitais, podendo sobrecarregar rins, fígado, pulmões e cérebro.

Grupos de risco: quem precisa de atenção total?

O Ministério da Saúde e o Instituto reforçam que o calor afeta toda a população, mas alguns grupos têm menor capacidade de adaptação térmica e maior risco de complicações:

  • Idosos: Tendem a sentir menos sede e desidratam com facilidade.

  • Crianças: O sistema de regulação térmica ainda está em desenvolvimento.

  • Gestantes: Já possuem sobrecarga circulatória natural.

  • Doentes Crônicos: Diabéticos e pessoas com doenças renais, respiratórias ou cardíacas pré-existentes.

  • População vulnerável: Pessoas em situação de rua ou sem acesso a ambientes ventilados.

6 Orientações para reduzir riscos

Para blindar a saúde e minimizar os impactos das altas temperaturas, especialistas recomendam a adoção imediata de medidas preventivas. São hábitos simples, mas que salvam vidas.

1. Hidratação "forçada"

Não espere a boca secar. A sede já é um sinal de desidratação inicial. Beba água regularmente ao longo do dia para repor os líquidos perdidos na sudorese e manter o volume sanguíneo estável.

2. Alimentação estratégica

A digestão de alimentos pesados exige muito do corpo e gera calor interno. Prefira refeições leves. Frutas, saladas e alimentos naturais, ricos em água e sais minerais, ajudam na regulação térmica.

3. Atenção ao relógio

Evite atividades físicas e exposição direta ao sol nos horários de pico de radiação e temperatura, especificamente entre 10h e 16h. Se precisar sair, procure sombras.

4. Roupas e ambiente

Use roupas leves e de cores claras (que absorvem menos calor). Mantenha a casa fresca, abrindo janelas à noite para ventilar e fechando cortinas durante o dia para bloquear o sol direto.

5. Vigilância dos sintomas

Fique atento aos sinais que o corpo emite. Cansaço excessivo, tontura persistente e sede intensa podem indicar estresse térmico.

6. Busca por ajuda

"Diante de sintomas mais intensos ou mal-estar persistente, é fundamental procurar uma unidade de saúde imediatamente", orienta o Dr. Bortolotto.

Não subestime o calor! Em casos de confusão mental ou dor no peito, o atendimento rápido é crucial.

Saúde em Dia
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