Calorão perigoso: como evitar sustos e proteger o coração
Altas temperaturas exigem esforço extra do coração. Entenda os riscos de infarto e veja as orientações do Dr. Luiz Bortolotto
As altas temperaturas que têm atingido a capital paulista e diversas regiões do Brasil acenderam um sinal de alerta vermelho nas unidades de saúde. Mais do que um simples desconforto térmico ou noites mal dormidas, o calor extremo representa um desafio fisiológico real, especialmente para a saúde do coração.
O InCor (Instituto do Coração do HCFMUSP), referência nacional em cardiologia, emitiu orientações importantes para a população. Segundo a instituição, o "calorão" impõe um esforço adicional ao organismo que pode ser o gatilho para desidratação severa, exaustão térmica e, nos casos mais graves, o agravamento súbito de doenças crônicas.
Para quem já possui histórico cardíaco, o cuidado deve ser redobrado. Mas, afinal, por que o sol forte afeta tanto o sistema cardiovascular? A resposta está na forma como o nosso corpo tenta se defender do aquecimento.
Esforço extra do coração no calor
O sistema cardiovascular é o principal responsável por adaptar o corpo ao ambiente quente. De acordo com especialistas do InCor, para manter a temperatura interna estável e evitar o superaquecimento, o organismo ativa mecanismos de dissipação de calor.
Dois processos principais ocorrem:
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Aumento da sudorese: O corpo produz suor para resfriar a pele.
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Vasodilatação: Os vasos sanguíneos se dilatam (alargam) para permitir que o sangue circule mais próximo da superfície da pele, liberando calor para o ambiente.
A vasodilatação pode levar a uma queda brusca da pressão arterial. Para compensar essa queda e garantir que o sangue continue chegando a todos os órgãos, o coração precisa bater mais rápido e com mais força.
Riscos: de tonturas ao infarto
Em dias normais, esse ajuste é bem tolerado. Porém, em situações de calor extremo, o sistema pode entrar em colapso. Os efeitos imediatos listados pelo InCor incluem tontura, náusea, dor de cabeça intensa, confusão mental e até perda de consciência (desmaio).
O perigo maior reside nas complicações agudas. O Prof. Dr. Luiz Aparecido Bortolotto, Diretor da Unidade Clínica de Hipertensão do InCor, explica a gravidade do cenário para pacientes vulneráveis.
"Em pessoas com doenças cardiovasculares, essas alterações podem agravar sintomas e aumentar o risco de mal-estar, falta de ar, palpitações e, em situações extremas, infarto ou AVC (Acidente Vascular Cerebral)", alerta o especialista.
Além do coração, o calor excessivo compromete o funcionamento de outros órgãos vitais, podendo sobrecarregar rins, fígado, pulmões e cérebro.
Grupos de risco: quem precisa de atenção total?
O Ministério da Saúde e o Instituto reforçam que o calor afeta toda a população, mas alguns grupos têm menor capacidade de adaptação térmica e maior risco de complicações:
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Idosos: Tendem a sentir menos sede e desidratam com facilidade.
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Crianças: O sistema de regulação térmica ainda está em desenvolvimento.
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Gestantes: Já possuem sobrecarga circulatória natural.
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Doentes Crônicos: Diabéticos e pessoas com doenças renais, respiratórias ou cardíacas pré-existentes.
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População vulnerável: Pessoas em situação de rua ou sem acesso a ambientes ventilados.
6 Orientações para reduzir riscos
Para blindar a saúde e minimizar os impactos das altas temperaturas, especialistas recomendam a adoção imediata de medidas preventivas. São hábitos simples, mas que salvam vidas.
1. Hidratação "forçada"
Não espere a boca secar. A sede já é um sinal de desidratação inicial. Beba água regularmente ao longo do dia para repor os líquidos perdidos na sudorese e manter o volume sanguíneo estável.
2. Alimentação estratégica
A digestão de alimentos pesados exige muito do corpo e gera calor interno. Prefira refeições leves. Frutas, saladas e alimentos naturais, ricos em água e sais minerais, ajudam na regulação térmica.
3. Atenção ao relógio
Evite atividades físicas e exposição direta ao sol nos horários de pico de radiação e temperatura, especificamente entre 10h e 16h. Se precisar sair, procure sombras.
4. Roupas e ambiente
Use roupas leves e de cores claras (que absorvem menos calor). Mantenha a casa fresca, abrindo janelas à noite para ventilar e fechando cortinas durante o dia para bloquear o sol direto.
5. Vigilância dos sintomas
Fique atento aos sinais que o corpo emite. Cansaço excessivo, tontura persistente e sede intensa podem indicar estresse térmico.
6. Busca por ajuda
"Diante de sintomas mais intensos ou mal-estar persistente, é fundamental procurar uma unidade de saúde imediatamente", orienta o Dr. Bortolotto.
Não subestime o calor! Em casos de confusão mental ou dor no peito, o atendimento rápido é crucial.