Viagem subterrânea é a versão inusitada da Colômbia
É considerado um dos maiores mistérios das civilizações pré-colombianas [...]
Em certos endereços da Colômbia, a regra é descer.
Um dos destaques é San Agustín, a penosas 10 horas de Bogotá, no departamento de Huila, capital arqueológica do país que guarda um dos maiores mistérios das civilizações pré-colombianas.
A região é conhecida por essas estátuas de granito que são como guardiões silenciosos que protegem os restos mortais guardados em sarcófagos de pedra ou câmeras subterrâneas. Ao lado, repousam oferendas como ferramentas de pedra e panelas com alimentos.
E isso é tudo, ou quase tudo, que se sabe sobre um dos mais importantes endereços arqueológicos da Colômbia.
Fundado em 1935, entre as cidades de Isnos e San Agustín, o Parque Arqueológico de San Agustín abriga o maior conjunto de monumentos religiosos e estátuas talhadas em pedra de origem vulcânica, nessa que é considerada também a maior necrópole do mundo.
Acredita-se que aqueles vestígios arqueológicos representam o que teria sido a cultura agustiniana, de 3.300 a.C., segundo estudos realizados com carbono 14 e restos orgânicos encontrados no parque, cujas escavações arqueológicas foram iniciadas em 1913, por Konrad Theodor Preuss.
Esse Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, desde 1995, fica em uma área de 78 hectares, onde podem ser visitadas as mesitas, montículos funerários com lascas horizontais de pedra que se assemelham a uma mesa.
O Parque Arqueológico de San Agustín abriga também o Bosque de las Estatuas, uma trilha autoguiada que passa por conjuntos funerários, decorados com 39 esculturas em pedra que combinam características humanas e animais.
Acredita-se que cada uma das estátuas, escondidas entre uma floresta densa, eram esculpidas em homenagem à profissão ou às preferências do falecido.
A 30 km de San Agustín, o município de San José de Isnos também guarda vestígios arqueológicos em formas humanas e animais.
Essas estruturas funerárias são consideradas as de melhor estado de conservação e se estima que foram feitas pela mesma sociedade agustiniana que ergueu as peças de San Agustín.
Desde 1995, o Parque Arqueológico Alto de los Ídolos é Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.
Tierradentro
A sete horas de San Agustín, em mais uma daquelas penosas viagens terrestres em destinos isolados da América do Sul, o Parque Arqueológico de Tierradentro é outra experiência que vale o esforço para chegar.
Entre paredes com desenhos antropomorfos, geométricos e de animais, ficam os hipogeus, câmaras subterrâneas com desenhos geométricos, construídas no ano 1.000 d.C., no Departamento de Cauca, próximo aos municípios de Belalcázar e Inzá.
Nesses mausoléus pré-hispânicos de uma enigmática cultura perdida eram realizados, em urnas, os enterros secundários dos ossos exumados.
O parque, Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, guarda 162 tumbas subterrâneas e mais de 500 estátuas talhadas, ao longo das ladeiras montanhosas que rodeiam a aldeia de San Andrés de Pisimbalá.
Essas tumbas coletivas, que podiam chegar a nove metros de profundidade e 12 de largura, serviam como uma espécie de reprodução das moradias da época, cujo acesso se dá por escadas de pedra.
A área abriga também grandes estátuas parecidas às que estão na região de San Agustín, cujo estado de conservação se deve à geografia de difícil acesso, um cenário formado por encostas íngremes e cânions profundos. Daí o nome Tierradentro.
Em cerca de dois dias de visita, é possível conhecer também o Museo Arqueológico de Tierradentro, no parque homônimo, e o Alto de la Segovia, um dos locais mais impressionantes do complexo, devido às 25 tumbas pintadas.
* Este conteúdo faz parte da série América do Sol, outras imagens da América do Sul, um registro clicado e escrito de um mochilão, entre a Patagônia e a Amazônia brasileira, em busca do destinos sul-americanos menos conhecidos do público brasileiro, como a Amazônia peruana e a Colômbia arqueológica.
Por quase nove meses, André Lima e o jornalista Eduardo Vessoni estiveram em 84 cidades de 9 países do continente.