Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Turismo

African Heritage House: A arte da África guardada em uma casa

14 jan 2015 - 10h11
Compartilhar

Do Quênia ao Mali, passando por cada um dos mais de 50 países que compõem o continente africano, a "African Heritage House" guarda em seus quartos centenas de obras de arte e cultura africana, muitas delas já quase extintas.

Da "African Heritage House", famosa por suas paredes ocres e por seu estilo arquitetônico inspirado nas construções de barro do Mali, se comenta que é "a casa mais fotografada da África".

Seu dono, designer e colecionador, Alan Donovan, destacou à Agência Efe que se trata de uma casa "única" no continente, já que de muitas de suas peças de arte tradicional "já não se podem conseguir originais".

Alan chegou à África em 1969 como um dos últimos americanos enviados à Nigéria pelo Departamento de Estado durante a guerra de Biafra (1967-1970).

Durante sua estadia no continente, Donovan "se apaixonou" pelo artesanato africano, que considera "natural" e "necessário conservar" frente à mercantilização e produção em massa de artigos típicos.

"Muitas das peças, representativas de culturas africanas, desapareceram . Desde a arte até a arquitetura", explicou Alan.

Junto a Joseph Murumbi, vice-presidente queniano durante parte do mandato de Jomo Kenyatta, fundou a primeira galeria de arte pan-africana, muitas de cujas peças permanecem agora na "African Heritage House".

Donovan comprou um terreno a cerca de 25 quilômetros da capital queniana junto à ferrovia e em frente ao Parque Nacional de Nairóbi onde, cinco anos depois, em 1994, se ergueu a "African Heritage House".

Desde sua criação, a casa atraiu a atenção de várias revistas internacionais de arquitetura e arte.

Durante os primeiros anos, o prédio não admitia visitas mas, desde que a "African Heritage House" apareceu no portal de viagens Trip Advisor como uma das principais atrações de Nairóbi, "os visitantes não param de chegar", brincou Alan.

Fruto de suas várias viagens pela África, acumula centenas de peças que formam um conjunto eclético, mas que permite aos visitantes "viver com as artes e o artesanato africanos. Olhar para a África e encontrar nela a inspiração".

No segundo andar, sobre a estante da chaminé, Alan guarda "com carinho" a primeira peça de sua coleção: uma jarra furada pelo uso da tribo dos turkana no Quênia.

Segundo Alan contou, quando adquiriu essa peça como "arte" lhe disseram que estava louco, ao que ele respondeu dizendo que "isso é arte de verdade, não como Andy Warhol".

Mas essa não é a única história das várias obras de arte e artesanato africanas, espalhadas por corredores e quartos, incluindo nos banheiros.

Desde peças dos luba relatando a história da mulher de quatro peitos, até escudos masais adornando a parede, camas ao estilo de Lamu (Quênia), tecidos de Kuba (República Democrática do Congo) e animais protetores de bronze do Benin.

Segundo Alan contou, estes animais são colocados nas casas como um tipo de deuses do lar. Mostrando um caranguejo colocado em uma esquina, diz: "Ele protegeu a 'African Heritage House' da via do trem".

Alan disse isso porque a sorte da casa esteve por um fio nos últimos meses, quando o governo queniano decidiu reorganizar o traçado das linhas férreas, passando por cima da "African Heritage House".

No entanto, o projeto por enquanto foi abandonado, esclareceu Alan.

Segundo assinalou à Efe, a perda do "African Heritage House" seria grande, já que a casa é "um primeiro passo para a conservação do patrimônio artístico e cultural indígena".

"Não é suficientemente apreciado, nem na África nem no resto do mundo", contou ao respeito. "Eu queria fazer uma casa totalmente africana", concluiu Alan.

EFE   
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra