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Superdotação na infância exige cuidado e acolhimento 

Especialista da Mensa Brasil explica como identificar essas crianças e o que fazer para que elas cresçam felizes e com seus potenciais plenamente desenvolvidos

6 fev 2026 - 12h41
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Especialista da Mensa Brasil explica como identificar crianças com superdotação e o que fazer para que elas cresçam felizes e com seus potenciais plenamente desenvolvidos

Já pensou estar na rua com uma criança e ela dizer: "Olha aquele andaime, para uma escova de dentes gigante!"? Essa forma única de ver as coisas ao seu redor pode, em muitos casos, ser um dos indícios de superdotação, uma característica ainda cercada de mitos, confusões e, muitas vezes, mal interpretada por quem convive com esses pequenos gênios.

Superdotação na infância exige cuidado e acolhimento 
Superdotação na infância exige cuidado e acolhimento
Foto: Revista Malu

"Crianças superdotadas são, geralmente, muito curiosas. Elas questionam tudo ao seu redor, demonstram reações emocionais intensas e têm sensibilidade para perceber o ambiente, além de aprenderem rapidamente, apresentarem boa memória para reter tanto informações quanto vivências e terem capacidade para gerar muitas ideias, planejando e idealizando soluções. Porém, muitas vezes, não sabem lidar com a frustração quando as coisas não saem conforme imaginaram", explica Priscila Zaia, psicóloga supervisora nacional da Mensa Brasil, associação para pessoas com alto QI.

Varia de cada um

Esses sinais nem sempre são identificados de imediato. De acordo com a especialista, os primeiros indícios podem surgir bem cedo, mas tendem a se tornar mais evidentes quando a criança ingressa na escola. "É nesse momento que ela passa a conviver com outros adultos e crianças, e as diferenças comportamentais e intelectuais começam a chamar a atenção."

Nem tudo é QI

Um dos maiores equívocos em torno da superdotação é reduzi-la a um número: o quociente intelectual. "Atualmente, a inteligência é considerada multidimensional, ou seja, composta por diferentes habilidades. O QI é apenas um dos componentes da superdotação", afirma Priscila. "Por isso, o processo de identificação precisa ser amplo e aprofundado, envolvendo uma avaliação neuropsicológica completa, na qual se investigue todo o funcionamento cognitivo (inteligência, atenção, memória, funções executivas) e emocional (traços de personalidade), além do histórico de vida e dos possíveis materiais produzidos ao longo da trajetória da criança."

Também pode-se identificar a superdotação pelos professores em sala de aula, por meio da observação do estilo de aprendizagem do aluno, do modo como questiona os conteúdos e, até mesmo, de comportamentos frequentemente considerados "inadequados" - como conversar demais, demonstrar tédio ou apresentar agitação motora. 

Além disso, muitas características confundem-se com outros quadros, como hiperatividade, autismo ou transtornos de aprendizagem. "Existem casos de dupla excepcionalidade, por exemplo, quando a criança é superdotada e, ao mesmo tempo, apresenta um transtorno do neurodesenvolvimento. Em outros casos, observa-se também o desenvolvimento assíncrono, em que o funcionamento cognitivo se desenvolve mais rapidamente e de forma precoce em comparação com a idade biológica, enquanto os demais aspectos (socioemocionais, motores e sensoriais) se desenvolvem conforme o esperado - a criança pode apresentar agitação motora e/ou questões emocionais intensas que, quando observadas em ambientes com conhecimento limitado sobre esses quadros, podem gerar confunsão."

Aliás, o que é QI?

O quociente intelectual é uma medida fornecida por testes que avaliam a inteligência. Ele é obtido a partir dos resultados alcançados em tarefas que envolvem memória, raciocínio lógico, manipulação mental de informações e velocidade de processamento, entre outras habilidades. "Se estivermos utilizando um teste que avalia a inteligência de forma multidimensional, o QI representará o resultado global de todas essas habilidades cognitivas mensuradas, refletindo o funcionamento da inteligência do indivíduo", explica a psicóloga. 

E como se identifica esse nível? "Por meio da realização de testes psicológicos de inteligência que devem ser validados e aceitos pelo Conselho Federal de Psicologia, ou seja, com base em estudos científicos adequados à população brasileira." (box)

Ensino e rotina adaptados para lidar com a superdotação na infância

Priscila reforça que a maneira como a criança superdotada aprende é diferente das demais. "Ela absorve informações com facilidade, retém tudo na memória de longo prazo e costuma se entediar com métodos repetitivos. Essas crianças se beneficiam de atividades dinâmicas, com aprofundamento dos conteúdos e liberdade para construir conhecimento com base no que já dominam. Por exemplo, podem fazer pesquisas independentes, escrever um livro sobre os assuntos que mais as interessam, dentre outras possibilidades", orienta a psicóloga supervisora nacional da Mensa Brasil.

No entanto, o ensino tradicional nem sempre acompanha esse ritmo. Por isso, a legislação brasileira prevê a suplementação curricular para esses alunos, como parte da educação especial. "O currículo precisa ser enriquecido para que a criança possa explorar seu potencial", diz Priscila.

Acelerar ou acolher?

Embora o salto de série - conhecido como aceleração escolar - seja um direito da criança superdotada, essa nem sempre é a melhor opção. "Os demais aspectos do desenvolvimento infantil também precisam ser considerados nessa tomada de decisão, principalmente os sociais e os emocionais", alerta a especialista.

Outro ponto importante é o risco de isolamento social. A criança superdotada pode sentir que "não se encaixa", seja por interesses muito específicos, sensibilidade aguçada ou estilo de brincadeira diferente. "Podemos ajudá-las fortalecendo o desenvolvimento emocional e a construção de sua identidade, para que tenham recursos internos que as auxiliem a lidar com a possibilidade de não serem compreendidas como esperavam pelos outros, permitindo-lhes maior flexibilidade nas relações. Mas, igualmente importante, podemos acolhê-las e valorizar as diferenças individuais."

Além dos estereótipos

Infelizmente, a superdotação ainda é mal interpretada em muitos ambientes. "A disseminação de conhecimento acerca das características e do modo de ser da criança superdotada é o primeiro passo para mudar esse tipo de estereótipo. Discutir o tema na escola, conversar com os filhos sobre as diferenças individuais e sobre o respeito ao outro são ótimos passos."

E qual o papel da família? "O principal investimento dos pais deve ser o fortalecimento emocional da criança. Isso significa dar espaço para que ela se expresse, ouvir com atenção e oferecer possibilidades variadas para que explore seus interesses, sem impor expectativas irreais. Conhecer a criança profundamente é a chave para estimular seu potencial com equilíbrio e sensibilidade", finaliza.

Revista Malu Revista Malu
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