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Skincare infantil: moda no TikTok preocupa especialistas

Crianças e pré-adolescentes reproduzem rotinas de skincare do TikTok. Dermatologistas alertam sobre o uso precoce de ácidos e anti-aging e defendem rotina simples.

29 set 2026 - 12h26
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Resumo
A tendência viral no TikTok de crianças adotando rotinas complexas de skincare tem preocupado especialistas. O uso precoce de ácidos e ativos adultos gera gastos altos e riscos à saúde, como dermatites e danos à barreira cutânea. Dermatologistas alertam que a pele jovem não necessita de tratamentos antienvelhecimento, demandando apenas higiene suave, hidratação básica e protetor solar. Especialistas pedem cautela, atenção aos rótulos e menos impulso diante de modismos das redes sociais.

O skincare infantil virou febre entre crianças e pré-adolescentes. Influenciados por vídeos de beleza no TikTok, os mais jovens reproduzem rotinas de adultos. A tendência, porém, preocupa especialistas. A American Academy of Dermatology alertou sobre o uso de ativos como retinol, vitamina C e ácidos nessa faixa etária.

Foto: Yta23/Getty Images / Alto Astral

Um estudo publicado na Pediatrics analisou vídeos de skincare populares no TikTok. Os pesquisadores identificaram a presença de diferentes produtos e ingredientes nas rotinas compartilhadas.

O que o estudo do TikTok mostrou

Séruns, ácidos, máscaras e diferentes etapas de cuidado aparecem cada vez mais cedo nas redes. Mas reproduzir o ritual de um adulto não significa oferecer à pele o cuidado que ela precisa.

No estudo, meninas entre 7 e 18 anos mostraram rotinas com uso médio de seis produtos. O custo variou entre US$ 168 e US$ 500 por rotina - ou seja, cerca de R$ 2.500.

Ingredientes como fragrâncias e ácidos foram comuns, mesmo sem problemas de pele visíveis. Apenas 26% dos vídeos mostravam o uso de protetor solar.

"Pele infantil não precisa de rotina sofisticada"

"A pele infantil tem características próprias e não precisa de uma rotina sofisticada para ser saudável", explica Lara Fileti Arruda, dermatologista do Hospital São Francisco de Mogi Guaçu.

Em geral, os pilares são higiene adequada, hidratação quando necessária e fotoproteção. Lara reforça que skincare não deve ser encarado como uma coleção de produtos.

"Nessa idade, o objetivo não é tratar rugas, estimular colágeno ou fazer 'anti-aging', mas preservar a barreira cutânea e proteger a pele", afirma Lara.

O risco de reproduzir rotina de adulto

"Quando uma criança reproduz uma rotina de skincare de um adulto, ela pode estar usando produtos formulados para uma necessidade que simplesmente não existe naquela idade", alerta Lara.

O excesso pode levar à irritação, ressecamento, descamação, dermatite de contato e comprometimento da barreira cutânea. Em alguns casos, quanto mais produtos são usados, mais difícil fica identificar qual deles provocou a reação.

Olhar para os rótulos, não só para o viral

Mais do que saber quais produtos estão em alta, a discussão passa também por entender o que está sendo colocado na pele. Para Marina Miranda, fundadora da Be Clean, aplicativo que permite o escaneamento de produtos e acesso a análises detalhadas sobre seus ingredientes, a popularização dessas rotinas reforça a importância de olhar para os rótulos.

"Quando um produto aparece o tempo todo nas redes, é muito fácil olhar para a embalagem, para a promessa ou para a rotina de quem está usando e querer reproduzir aquilo", afirma Marina.

"Mas existe uma etapa antes da compra que é muito importante: entender o que tem naquele produto e se ele realmente faz sentido para aquela pessoa", acrescenta.

Rótulos difíceis e decisão por impulso

Segundo Marina, o problema é que os rótulos ainda podem ser difíceis de compreender para quem não está familiarizado com os nomes dos componentes. "A lista de ingredientes não deveria ser uma barreira", diz.

"O consumidor precisa conseguir acessar essa informação de uma maneira clara para entender o que está escolhendo. Isso se torna ainda mais importante quando falamos de crianças e pré-adolescentes, porque a decisão não deveria acontecer só porque um produto viralizou", acrescenta Marina.

Para ela, a proposta não é tratar o interesse dos jovens por skincare como algo negativo, mas incentivar escolhas mais conscientes. "O skincare pode ser uma forma de cuidado, mas ele não precisa ser sinônimo de uma rotina cheia de produtos", afirma.

"Antes de seguir uma tendência, vale buscar informação e entender o que aquela pele realmente precisa", completa Marina.

Tendência versus necessidade

Em um ambiente em que novos produtos e ativos aparecem diariamente nas redes sociais, entender a diferença entre uma tendência e uma necessidade pode ser o primeiro passo antes de reproduzir uma rotina.

Afinal, cuidar da pele não precisa significar ter uma prateleira cheia de cosméticos. Informação também faz parte do cuidado.

"Skincare pode ser uma forma saudável de ensinar autocuidado. Mas, na dermatologia, menos, muitas vezes é mais, principalmente quando estamos falando de uma pele que ainda está em desenvolvimento", completa Lara.

O que fazer em casa

Se seu filho ou filha pede produtos de skincare, comece pelo básico:

  • Sabonete suave, indicado para peles sensíveis

  • Hidratante leve, preferencialmente sem fragrância 

  • Protetor solar diário, com alta proteção UVA/UVB

Evite ativos como retinol, vitamina C concentrada e ácidos esfoliantes sem orientação médica. Na dúvida, procure um dermatologista.

Alto Astral
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