Treino até a falha pode aumentar o risco de lesões? Entenda
Entenda quando o treino até a falha vira risco, o que dizem especialistas e como usar RIR para treinar com mais segurança.
Treinar até a falha virou sinônimo de intensidade nas redes. Porém, nem sempre isso significa mais resultado.
Na prática, a falha acontece quando você não consegue completar outra repetição com boa técnica. Ou seja, o peso "trava".
Mesmo assim, a ciência sugere cautela. Afinal, treinar perto da falha pode entregar ganhos parecidos.
O que é "treino até a falha" e por que ele cansa mais
A falha muscular é o limite momentâneo da contração. Em outras palavras, você já não levanta o peso. Esse esforço exige muito do sistema nervoso. Além disso, pede controle técnico fino.
Quando a técnica cai, o corpo compensa. Portanto, articulações e tendões podem pagar a conta. Por isso, a falha não é "vilã". No entanto, ela não serve para todo mundo.
Falha não é o mesmo que treino bem feito
Uma série pesada pode ser excelente sem falhar. Aliás, muitas vezes ela é até melhor assim. Quando você força além do ponto, a execução piora. E isso aumenta o risco de erro.
Além disso, a recuperação fica mais lenta. Assim, o treino seguinte pode render menos.
O que as evidências mostram sobre falha e resultados
Pesquisadores brasileiros analisaram estudos sobre a metodologia. E o resultado chama atenção. A conclusão é que a falha não traz ganhos superiores ao treino próximo da falha. Ou seja, "quase lá" já funciona.
Além disso, a prática frequente pode favorecer overreaching não funcional. Esse quadro derruba performance por semanas.
Nesse cenário, o corpo não "evolui". Pelo contrário, ele entra em desgaste acumulado. Por isso, a estratégia costuma ser mais inteligente do que o excesso.
Como a falha pode aumentar o risco de lesões
A fisioterapeuta clínica Aline Leite alerta para o efeito repetido da falha. Segundo ela, a sobrecarga no sistema nervoso cresce.
Isso pode gerar cansaço persistente. Além disso, piora a qualidade da execução ao longo dos treinos. Com técnica ruim, a chance de compensação biomecânica aumenta. E compensação é porta aberta para dor.
Assim, a falha vira um "atalho" perigoso. Principalmente quando aparece em toda série.
Sinais de que a falha está passando do ponto
Primeiro, você sente queda de rendimento por dias. Em seguida, vem a sensação de treino "pesado demais". Além disso, pode surgir dor articular incomum. Ou seja, não é só músculo cansado.
Outro sinal é perder padrão de movimento. Por exemplo, balançar no supino ou "roubar" na rosca. Se isso acontece sempre, é hora de ajustar carga. E também de ajustar ego.
RIR e RPE: o jeito mais seguro de treinar forte
Um caminho mais equilibrado é usar RIR. A sigla significa "repetições em reserva". Na prática, é terminar a série com 1 a 2 repetições "guardadas". Ou seja, você poderia fazer mais, mas para.
Lucas Florêncio, treinador de rede fitness Smart Fit, defende essa escolha. "O ideal é trabalhar com Repetições em Reserva", afirma. Ele explica o motivo com clareza. "Com 1 a 2 repetições de reserva, consegue-se uma hipertrofia similar com mais segurança", diz.
Além disso, ele aponta outro ganho importante. "E cerca de metade do tempo de recuperação", completa. Isso ajuda a treinar bem mais vezes. E consistência costuma vencer "heroísmo".
Quando usar falha faz sentido
A falha pode ser útil para praticantes avançados. Principalmente para quebrar platôs. Ainda assim, ela deve aparecer com parcimônia. E em momentos bem escolhidos da periodização.
Outra regra é olhar o tipo de exercício. Quanto mais complexo, maior o risco. Por isso, a falha costuma ser mais segura em isoladores. Por exemplo, elevação lateral e cadeira extensora.
Já em multiarticulares, a cautela é maior. Agachamento livre e levantamento terra exigem técnica impecável. Lucas Florêncio é direto sobre iniciantes. "No caso dos iniciantes, o treino até a falha deve ser evitado por completo", afirma.
Ele explica a razão com foco no aprendizado. "Reduz a qualidade técnica do movimento e aumenta compensações biomecânicas", diz. Ou seja, primeiro vem a técnica. Depois vem a intensidade.
Treino para encaixar falha com estratégia
A ideia abaixo usa RIR na maior parte do treino. E deixa a falha para exercícios mais estáveis.
Assim, você treina forte sem perder forma. Além disso, diminui risco articular.
Treino A: Push (peito e deltoides)
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Supino reto com halter: 3×8-10 (RPE 8 / 2 RIR).
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Supino máquina articulado: 3×6-8 (RPE 8 / 2 RIR).
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Desenvolvimento máquina: 3×10-12 (RPE 9 / 1 RIR).
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Elevação lateral: 4×12-15 (última série em falha).
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Tríceps polia: 3×12-15 (RPE 9 / 1 RIR).
Treino B: Pull (costas, deltoide posterior e bíceps)
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Puxada máquina articulada: 3×8-10 (RPE 8 / 2 RIR).
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Remada curvada supinada: 3×8-10 (RPE 8 / 2 RIR).
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Puxada máquina (variação): 3×10-12 (RPE 9 / 1 RIR).
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Crucifixo invertido máquina: 3×12-15 (última série em falha).
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Rosca alternada: 3×10-12 (RPE 9 / 1 RIR).
Treino C: Legs (pernas)
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Agachamento máquina articulada: 3×6-8 (RPE 8 / 2 RIR)
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Leg press: 3×10-12 (RPE 9 / 1 RIR).
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Cadeira extensora: 3×12-15 (falha).
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Cadeira flexora: 3×10-12 (falha).
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Gêmeos em pé: 4×20-25 (falha).
Perceba o padrão: falha fica para máquinas e isoladores. Assim, o tronco fica mais estável.