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Artropatia de Charcot: a complicação silenciosa do diabetes que pode levar à amputação

A artropatia de Charcot é uma condição que afeta principalmente as articulações dos pés e tornozelos, provocando deformidades progressivas, instabilidade e risco de úlceras. Saiba mais dessa condição.

28 fev 2026 - 13h33
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A artropatia de Charcot é uma condição que afeta principalmente as articulações dos pés e tornozelos, provocando deformidades progressivas, instabilidade e risco de úlceras. O quadro costuma surgir em pessoas com perda de sensibilidade nos membros inferiores. Em especial naquelas quem têm diabetes de longa data. Por causa disso, muitas lesões passam despercebidas no início, o que favorece a piora sem silenciosa da estrutura óssea e articular.

Na prática, a artropatia de Charcot é uma complicação grave do chamado pé diabético. No entanto, também pode aparecer em outras doenças que causam neuropatia, como hanseníase, alcoolismo crônico ou sequelas de traumatismos medulares. Por isso, o diagnóstico precoce é um dos principais desafios, já que pode haver confusão dos sinais iniciais com entorses comuns, inflamações ou infecções locais.

Na prática, a artropatia de Charcot é uma complicação grave do chamado pé diabético – depositphotos.com / EdZbarzhyvetsky
Na prática, a artropatia de Charcot é uma complicação grave do chamado pé diabético – depositphotos.com / EdZbarzhyvetsky
Foto: Giro 10

O que é artropatia de Charcot e como ela se desenvolve?

A artropatia de Charcot, ou pé de Charcot quando atinge os pés, é uma doença osteoarticular progressiva ligada em especial à neuropatia periférica. O mecanismo mais aceito envolve dois fatores centrais. São eles: a perda da sensibilidade protetora e a alteração do controle dos vasos sanguíneos locais. Sem dor adequada, a pessoa continua apoiando o peso sobre uma articulação já lesionada. Ao mesmo tempo, há aumento do fluxo sanguíneo na região, o que acelera a reabsorção óssea.

Com o passar do tempo, essa combinação leva a fraturas microscópicas que se repetem, colapsos ósseos, desalinhamento das articulações e deformações marcantes. Em muitos casos, o pé fica mais "alargado" e com áreas de proeminência óssea voltadas para a planta. Portanto, isso aumenta o atrito com o calçado e favorece o aparecimento de feridas. Sem intervenção adequada, o quadro pode evoluir para instabilidade grave e risco elevado de amputação.

Artropatia de Charcot: sintomas, fases e principais sinais de alerta

Os sintomas da artropatia de Charcot variam conforme o estágio da doença. Em geral, o primeiro sinal que se observa é o inchaço súbito de um pé. Em muitos casos, ele vem acompanhado de aumento da temperatura local e vermelhidão discreta. A dor pode ser mínima ou ausente, o que costuma gerar estranhamento, já que o aspecto lembra um processo inflamatório intenso.

Assim, os especialistas costumam descrever a evolução em três grandes fases:

  • Fase aguda (fragmentação): marcada por edema importante, calor local, possível vermelhidão, instabilidade e início das fraturas ósseas. Radiografias iniciais podem ser normais ou pouco alteradas.
  • Fase subaguda (coalescência): o inchaço diminui gradualmente, as fraturas começam a consolidar, mas com alinhamento alterado das estruturas.
  • Fase crônica (reconstrução): o pé encontra um novo "padrão" anatômico, muitas vezes com deformidades permanentes, proeminências ósseas e alteração da distribuição da carga na planta.

Algumas características chamam atenção nessa neuropatia articular: assimetria entre os pés, calçados que deixam de servir ou ficam apertados de forma súbita, dificuldade para se equilibrar ao caminhar e aparecimento de calosidades em pontos onde antes não havia pressão. Em pessoas com diabetes, o surgimento desses sinais, mesmo sem dor intensa, é considerado um motivo relevante para avaliação imediata.

Como ocorre o diagnóstico da artropatia de Charcot?

O diagnóstico da artropatia de Charcot exige combinação de exame clínico cuidadoso e métodos de imagem. Em muitos cenários, o grande desafio é diferenciá-la de infecções ósseas (osteomielite) ou de traumas agudos. O histórico de neuropatia, a presença de diabetes de longa duração e a diferença de temperatura entre os pés são pistas importantes durante a avaliação médica.

Para confirmar o quadro e avaliar a extensão das lesões, costumam ser utilizados:

  1. Radiografias simples: permitem visualizar fraturas, desalinhamentos, colapsos ósseos e deformidades já estabelecidas.
  2. Ressonância magnética: útil nas fases iniciais, quando o raio X ainda não mostra alterações significativas, ajudando também a distinguir Charcot de infecção.
  3. Tomografia computadorizada: auxilia no planejamento cirúrgico e na análise detalhada das articulações afetadas.

Exames laboratoriais, como marcadores inflamatórios, podem ser solicitados para afastar outras condições associadas. No entanto, eles não são específicos para o pé de Charcot, servindo apenas como complemento na investigação.

Qual é o tratamento para artropatia de Charcot atualmente?

O manejo da artropatia de Charcot tem como principais objetivos estabilizar a articulação, evitar novas lesões, reduzir o risco de úlceras e preservar ao máximo a capacidade de caminhar. Assim, o ponto central do tratamento é a descompressão e imobilização precoce. Ou seja, retirar o peso do membro afetado e impedir movimentos que possam agravar as fraturas.

De forma geral, o cuidado pode envolver:

  • Imobilização com gesso ou bota de contato total: utilizada por semanas ou meses para manter o pé protegido até que a fase aguda se estabilize.
  • Uso de muletas, andadores ou cadeira de rodas: para diminuir a carga sobre o membro doente durante a fase inicial.
  • Calçados especiais e palmilhas sob medida: após a fase aguda, ajudam a redistribuir a pressão na planta dos pés e evitam pontos de atrito excessivo.
  • Cirurgias ortopédicas: indicadas em casos de grande deformidade, instabilidade importante ou quando o ajuste com calçados especiais não é suficiente.

O controle rigoroso do diabetes, quando presente, é uma parte essencial do tratamento. Além disso, equipes multidisciplinares, formadas por endocrinologistas, ortopedistas, enfermeiros e fisioterapeutas, costumam atuar em conjunto para reduzir complicações e preservar a funcionalidade.

Exames laboratoriais, como marcadores inflamatórios, podem ser solicitados para afastar outras condições associadas – depositphotos.com / katerynakon
Exames laboratoriais, como marcadores inflamatórios, podem ser solicitados para afastar outras condições associadas – depositphotos.com / katerynakon
Foto: Giro 10

É possível prevenir a artropatia de Charcot?

A prevenção da artropatia de Charcot passa principalmente pelo cuidado rigoroso com os pés em pessoas com neuropatia periférica, especialmente em quem tem diabetes de longa evolução. A inspeção diária dos pés, a escolha de calçados adequados e o acompanhamento regular em serviços especializados são estratégias amplamente recomendadas.

Entre as medidas apontadas por profissionais da área, destacam-se:

  • Monitorar o controle glicêmico em portadores de diabetes, reduzindo o risco de progressão da neuropatia.
  • Evitar andar descalço, mesmo dentro de casa, para reduzir o risco de traumas despercebidos.
  • Realizar avaliações periódicas de sensibilidade e circulação dos pés com profissionais de saúde.
  • Buscar atendimento rápido diante de inchaço, aumento de temperatura ou deformidade súbita em um dos pés, mesmo sem dor intensa.

Quando identificada no início, a artropatia de Charcot tem maior chance de ser controlada com medidas conservadoras e menor probabilidade de evoluir para deformidades graves. Por isso, a informação sobre o tema e a vigilância constante dos sinais nos pés são considerados elementos estratégicos no cuidado de longo prazo.

Giro 10
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