Vacina da dengue é perigosa? Entenda o que está por trás da suspensão
Vacina da dengue é perigosa? A suspensão temporária levantou dúvidas. Entenda o que está sendo investigado e o que se sabe até agora.
A decisão do Ministério da Saúde de suspender temporariamente a vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan levantou dúvidas entre muitas pessoas.
Afinal, se a vacinação foi interrompida após o registro de casos graves, isso significa que a vacina é perigosa?
Pelas informações disponíveis até agora, não há evidências de que a vacina seja perigosa ou tenha causado os casos investigados.
Essa é justamente a principal questão que está sendo analisada pelas autoridades sanitárias.
A suspensão foi adotada de forma preventiva enquanto especialistas investigam 42 eventos adversos graves registrados entre cerca de 500 mil pessoas vacinadas.
Entre esses casos estão duas mortes e uma internação em UTI, mas ainda não há dados suficientes para concluir que esses episódios tenham sido provocados pelo imunizante.
O que se sabe até agora
- Cerca de 500 mil pessoas receberam a vacina do Butantan.
- Autoridades investigam 42 eventos adversos graves.
- Dois óbitos e uma internação em UTI fazem parte dos casos analisados.
- Ainda não há comprovação de que os episódios tenham sido causados pela vacina.
- A suspensão é temporária e tem caráter preventivo.
Um evento após a vacinação não significa que foi causado por ela
Esse é o ponto mais importante para entender o caso.
Quando um problema de saúde acontece após a aplicação de uma vacina, a primeira informação disponível é apenas que os dois eventos ocorreram próximos no tempo. Isso é chamado de relação temporal.
Mas uma relação temporal não é a mesma coisa que uma relação de causa e efeito.
Por isso, os casos registrados são tratados como eventos sob investigação, e não como efeitos comprovadamente causados pelo imunizante.
O que especialistas dizem sobre a suspensão?
A decisão do Ministério da Saúde foi considerada compatível com os protocolos de segurança adotados em programas de vacinação.
Em entrevista ao portal Terra, a presidente da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Dra. Susana Aidé, explicou que a interrupção temporária segue o chamado princípio da precaução em farmacovigilância.
Segundo ela, diante de eventos graves, raros e inesperados, a conduta adequada é pausar temporariamente a vacinação para investigar fatores como causalidade, perfil clínico dos pacientes e possíveis fatores de risco.
"Isso não significa, automaticamente, que a vacina seja insegura ou que os eventos tenham sido causados por ela", afirmou a especialista.
Avaliação semelhante foi feita pela coordenadora do Departamento Científico de Imunização da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Dra. Claudia F. Cavalcante Valente.
Segundo ela, a suspensão ocorreu após um alerta emitido pelo sistema de farmacovigilância que monitora eventos adversos registrados após a vacinação.
O que já se sabia sobre a segurança da vacina?
Segundo o Instituto Butantan, estudos anteriores apontaram eficácia global de 79,6% contra a dengue e de 89% contra formas graves da doença.
O instituto também informou que o acompanhamento realizado nos municípios de Botucatu (SP), Nova Lima (MG) e Maranguape (CE), onde houve vacinação ampliada da população, não identificou eventos adversos importantes relacionados ao imunizante.
Essas informações não eliminam a necessidade de investigar os casos atuais, mas ajudam a contextualizar que a vacina já vinha sendo monitorada antes da atual suspensão.
Afinal, a vacina da dengue é perigosa?
Com os dados disponíveis hoje, não é possível afirmar isso.
A suspensão indica que autoridades sanitárias identificaram casos que precisam ser analisados com cuidado, mas não que a vacina tenha sido considerada responsável pelos eventos registrados.
Neste momento, a principal conclusão é que a investigação continua em andamento e que ainda não existe comprovação de causalidade entre os casos graves analisados e a vacinação.
Os resultados das análises conduzidas pelo Ministério da Saúde, pela Anvisa e pelo Instituto Butantan deverão indicar se a estratégia de vacinação poderá ser retomada e em quais condições.
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