1 evento ao vivo

SP: cidades sem covid-19 fazem barreiras para adiar avanço

Paraguaçu Paulista é o único município com mais de 40 mil habitantes ainda 'imune'

18 mai 2020
11h33
atualizado às 12h31
  • separator
  • 0
  • comentários
  • separator

SOROCABA - Últimos focos de resistência ao coronavírus no interior de São Paulo, cidades que ainda não tiveram casos da doença estão criando cordões de isolamento para retardar a chegada da covid-19. As medidas incluem a retomada de barreiras sanitárias, o monitoramento de casos suspeitos e a distribuição de máscaras. A covid-19 já registrou casos em 463 das 645 cidades paulistas – 72% do total. Até este domingo, 17, havia 62.345 casos e 4.782 mortes. Conforme previsão do governo paulista, até o fim de maio, todas as cidades do Estado terão pelo menos um caso da doença.

Único município com mais de 40 mil habitantes que ainda não tem casos positivos de covid-19, Paraguaçu Paulista, no oeste do Estado, passou a usar barreiras volantes, neste domingo, 17, na tentativa de se manter livre do vírus. A cidade, de 45.703 habitantes, monitora quatro casos suspeitos, mas não há nenhum confirmado. De acordo com a prefeita Almira Garms (PSDB), devido aos bons resultados obtidos com o bloqueio nos acessos da cidade, agora as barreiras móveis atuarão em ruas internas da área urbana.

O controle é feito principalmente em pontos de maior aglomeração. "Os agentes fiscalizam o uso obrigatório de máscaras e estão autorizados a receber doações de material de limpeza e higiene que será distribuído à população mais vulnerável", disse. Segundo a prefeita, as barreiras foram adotadas para evitar que pessoas de outras regiões possam trazer o coronavírus para a cidade.

Paraguaçu Paulista monta barreiras móveis para retardar chegada do vírus, no interior de São Paulo.
Paraguaçu Paulista monta barreiras móveis para retardar chegada do vírus, no interior de São Paulo.
Foto: Divulgação/Prefeitura de Paraguaçu Paulista / Estadão Conteúdo

Paraguaçu Paulista faz divisa com cidades com alto índice de disseminação do vírus, como Assis - 32 casos e 5 óbitos, Quatá - dez casos e duas mortes —, e Rancharia - cinco casos e um óbito. Forasteiros que justificavam a necessidade de adentrar a cidade e não têm sintomas são orientados sobre a necessidade de usar máscara. Quem não tem, ganha uma. "Em 15 dias, distribuímos mais de 700 máscaras", disse a prefeita.

Cordão

No extremo norte do Estado, divisa com Minas Gerais, um bolsão de pequenas cidades que ainda não têm casos do vírus criou uma espécie de cordão de isolamento contra a covid-19. As prefeituras estão agindo em conjunto para não deixar brechas para a entrada do vírus. Todas as cidades banhadas pelos rios Grande e Paraná fecharam as prainhas, principal atrativo, e proibiram aglomerações em ranchos de pesca. Os principais acessos ganharam barreiras sanitárias.

Com zero caso, a prefeitura de Mira Estrela (2.820 habitantes) instalou barreiras em seus três acessos. Os agentes pedem que os ocupantes dos veículos informem a cidade de origem, suas condições de saúde, para onde seguem e quanto tempo irão permanecer na cidade. "O bloqueio é para controlar quem circula e evitar que pessoas de outros municípios venham se instalar em casas de familiares ou em ranchos, sejam próprios ou alugados", informou o município. Os agentes têm autorização para orientar os visitantes a voltarem a seus lugares de origem. A praia municipal está fechada.

Em Mesópolis, as barreiras evitam o acesso às prainhas do Rio Grande. A cidade de 1.908 moradores não tem caso positivo e quer continuar assim. "Infelizmente, muita gente está agindo como se estivesse de férias, vindo para cá a passeio, com o risco de trazer o vírus. Interditamos todos os acessos à prainha, permanecendo desta forma enquanto durar a pandemia", disse o prefeito Leandro Polarini (PSDB), que também decretou a obrigatoriedade do uso de máscaras. "Permanecem proibidas todas as aglomerações, inclusive em chácaras e ranchos de pesca", disse.

Mesópolis instalou bloqueio no acesso à prainha do Rio Grande.
Mesópolis instalou bloqueio no acesso à prainha do Rio Grande.
Foto: Divulgação/Prefeitura de Mesópolis / Estadão Conteúdo

A Prefeitura de Cardoso, na mesma região, também proibiu o acesso às prainhas. São três barreiras, uma delas no trevo principal da cidade. As equipes medem a temperatura e acompanham as pessoas com sintomas. A cidade atrai visitantes também por conta de um lago localizado na região central. As margens têm pistas de caminhada, usadas também para os moradores locais, mas as áreas estão interditadas. Segundo o prefeito Jair Cesar Nattes (PSD) também foi feita a distribuição de cinco mil máscaras. "Tentamos manter o vírus longe daqui", disse.

A prefeitura de Ariranha, de 9.277 moradores, montou quatro barreiras sanitárias para monitorar as condições de saúde de quem chega. Os bloqueios acontecem em acessos às cidades vizinhas e os ônibus também são parados. "Ainda não tivemos casos e as barreiras fazem parte de um conjunto de ações para manter o coronavírus afastado", disse a diretora de Saúde, Leticia Baldini Lopes. Em Riolândia (11.429 habitantes), o bloqueio acontece no acesso principal à cidade. A Prefeitura informou que não impede a entrada, mas as pessoas recebem orientações sobre os cuidados para evitar a circulação do vírus.

Jaci, com 5.657 moradores, instalou barreiras sanitárias nas três entradas principais. A fiscalização é feita das 7 às 17 horas e os agentes tomam a temperatura corporal de quem chega. Segundo o coordenador municipal de saúde, Frank Hulder de Oliveira, a ação é uma forma de evitar novos casos e fornecer máscaras para quem chega sem o protetor. "Tivemos 76 casos do vírus, mas 68 pacientes já se curaram e oito estão em quarentena, nenhum deles internado. Não temos casos suspeitos, então a ideia é fechar esse ciclo e evitar o surgimento de casos novos."

Sem visitas

Cidades situadas em regiões do interior com alta incidência da covid-19 voltaram a instalar barreiras na tentativa de reduzir a disseminação. Quem chega a Capivari, cidade de 55.768 habitantes, na região de Piracicaba, recebe orientações e tem a temperatura corporal medida. A entrada é permitida, mas se a pessoa está com temperatura acima de 37,7 graus, ela é orientada a procurar atendimento de saúde. "Se a pessoa com sintoma está em veículo vindo de outras cidades, será aconselhada preferencialmente a procurar atendimento em suas cidades de origem", informou a Prefeitura. A cidade tem 19 casos positivos, mas sem óbito.

Em Holambra, as barreiras funcionam nos finais de semana para controlar a entrada de turistas.
Em Holambra, as barreiras funcionam nos finais de semana para controlar a entrada de turistas.
Foto: Divulgação/Prefeitura de Holambra / Estadão Conteúdo

Neste fim de semana, o portal de acesso a Holambra, na região de Campinas, voltou a contar com o bloqueio de policiais militares e agentes da Vigilância em Saúde. A cidade de 14.930 habitantes tem 11 casos confirmados, mas não registrou óbito pela doença e os pacientes já se curaram. Cidade turística, conhecida como 'capital das flores', Holambra está inserida em região de alta incidência da covid-19, entre Campinas e Limeira.

Conforme a Prefeitura, as barreiras serão repetidas todos os fins de semana para orientar quem chega sobre o uso obrigatório de máscaras e as restrições locais ao comércio e ao turismo. "A cidade está fechada, os hotéis estão impedidos de receber viajantes a passeio e os restaurantes não operam com atendimento coletivo. Tomamos uma série de medidas para desencorajar o fluxo de turistas durante a quarentena", disse a diretora de turismo Alessandra Caratti.

Veja também:

 

Estadão
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade