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Medicamentos para emagrecer podem ser a nova arma contra vários vícios

Descubra como medicamentos GLP‑1 para emagrecer podem revolucionar o tratamento de vícios, unindo perda de peso e saúde mental

10 mar 2026 - 07h00
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Medicamentos populares para perda de peso à base de GLP‑1, como semaglutida e liraglutida, deixaram de ser vistos apenas como aliados na balança e passaram a despertar interesse em outra frente: o tratamento de vícios. Pesquisadores, médicos e autoridades de saúde acompanham de perto esse movimento, que ainda está em fase de estudo, mas já começa a produzir dados relevantes em diferentes países. O debate envolve expectativas em relação ao potencial terapêutico, dúvidas sobre segurança em longo prazo e o impacto econômico de um eventual novo uso desses fármacos.

Os chamados agonistas de GLP‑1 ganharam espaço a partir de 2021 em programas de combate à obesidade e ao diabetes tipo 2, impulsionados por relatos de perda significativa de peso. Com o aumento das prescrições, surgiram observações clínicas curiosas: alguns pacientes relatavam menor interesse em álcool, cigarro ou em hábitos compulsivos, como jogos e comida ultraprocessada. Esses relatos deram origem a uma onda de pesquisas que, em 2026, já envolve grupos acadêmicos da América do Norte, Europa e Brasil.

O que são medicamentos GLP‑1 e por que despertam interesse em dependência química?

Os remédios para emagrecer à base de GLP‑1 são fármacos que imitam a ação do hormônio peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1, produzido naturalmente pelo intestino. No tratamento da obesidade, esses medicamentos ajudam a controlar o apetite, prolongar a sensação de saciedade e regular a glicemia. O que chamou atenção de especialistas em vícios é que o GLP‑1 também atua em áreas do cérebro ligadas à recompensa, o mesmo circuito envolvido na dependência de álcool, nicotina e outras drogas.

Estudos de neuroimagem indicam que os agonistas de GLP‑1 podem reduzir a resposta a estímulos considerados recompensadores, como imagens de bebidas alcoólicas ou alimentos altamente calóricos. Em linguagem simples, o cérebro tenderia a reagir com menos intensidade ao "gatilho" associado ao vício. Pesquisadores analisam se essa modulação da recompensa poderia ser aproveitada para reduzir fissuras, recaídas e consumo em pessoas com transtornos por uso de substâncias.

Remédios para obesidade e diabetes podem influenciar o sistema de recompensa do cérebro, apontam estudos iniciais – depositphotos.com / oleschwander
Remédios para obesidade e diabetes podem influenciar o sistema de recompensa do cérebro, apontam estudos iniciais – depositphotos.com / oleschwander
Foto: Giro 10

Medicamentos GLP‑1 podem ajudar no tratamento de vícios?

Até 2026, os resultados disponíveis ainda são preliminares, mas apontam para alguns caminhos. Ensaios clínicos menores, realizados sobretudo com alcoolismo, sugerem que o uso de agonistas de GLP‑1 pode estar associado à redução do número de drinques por semana e à diminuição de episódios de consumo pesado. Há também estudos observacionais com fumantes e pessoas com compulsão alimentar, em que se nota queda no desejo de fumar ou de realizar "ataques" à geladeira.

Entre os principais achados em investigação com medicamentos GLP‑1 para vícios, destacam-se:

  • Redução subjetiva da fissura por álcool em pacientes com transtorno por uso de álcool;
  • Menor consumo diário de cigarros em fumantes que usavam GLP‑1 para obesidade;
  • Queda na frequência de episódios de compulsão alimentar em pessoas com obesidade grave;
  • Indícios iniciais de benefício em jogos de azar e compras compulsivas, ainda em número pequeno de participantes.

Especialistas ressaltam que esses resultados não autorizam, até o momento, o uso irrestrito desses medicamentos como tratamento padrão de vícios. A maioria dos estudos envolve amostras pequenas, seguimento curto e, em muitos casos, pacientes que já estavam em programas estruturados de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. Há também o risco de uso fora de indicação, impulsionado por redes sociais e por promessas de "pílula única" para emagrecimento e controle de dependência.

Quais são os riscos, limites e cuidados no uso de GLP‑1 para dependência?

O uso de remédios de GLP‑1 não é isento de efeitos adversos. Entre os mais conhecidos estão náuseas, vômitos, diarreia, constipação, dor abdominal e, em alguns casos, pancreatite. Em tratamentos prolongados, médicos monitoram possíveis alterações na vesícula biliar, na função renal e na saúde mental, com relatos isolados de mudanças bruscas de humor e pensamentos autolesivos, ainda em investigação.

Para o uso desses medicamentos em dependência química, os principais pontos de atenção incluem:

  1. Indicação correta: a prescrição deve ser feita apenas por profissionais habilitados, com base em evidências científicas atualizadas.
  2. Acompanhamento multiprofissional: o tratamento de vícios envolve abordagem psicológica, social e, muitas vezes, psiquiátrica; o GLP‑1, se utilizado, entra como parte de um pacote terapêutico.
  3. Avaliação de custo-benefício: esses medicamentos têm preço elevado e impacto significativo em sistemas de saúde públicos e privados.
  4. Monitoramento de efeitos colaterais: exames e consultas regulares ajudam a identificar precocemente eventuais complicações.
  5. Prevenção de uso recreativo ou off-label indiscriminado: a busca por soluções rápidas para emagrecer ou abandonar vícios pode estimular automedicação e compras irregulares.

Autoridades regulatórias, como a Anvisa e suas equivalentes em outros países, ainda analisam se haverá extensão formal das indicações dos agonistas de GLP‑1 para transtornos por uso de substâncias. Até o momento, o foco oficial permanece em obesidade e diabetes, enquanto os dados em vícios são avaliados em estudos clínicos controlados.

Agonistas de GLP-1 despertam interesse científico por possível efeito na redução da fissura por álcool e cigarro – depositphotos.com / alonesdj
Agonistas de GLP-1 despertam interesse científico por possível efeito na redução da fissura por álcool e cigarro – depositphotos.com / alonesdj
Foto: Giro 10

O que se espera para os próximos anos?

Laboratórios farmacêuticos e instituições de pesquisa ampliaram, desde 2024, o número de ensaios clínicos com agonistas de GLP‑1 no tratamento de vícios. As principais frentes investigadas são alcoolismo, tabagismo, dependência de opioides, jogos de azar e compulsão alimentar. O interesse econômico é grande, mas as agências reguladoras exigem comprovação robusta de eficácia e segurança antes de qualquer nova indicação.

Nos próximos anos, a expectativa é de que os estudos em andamento tragam respostas mais claras sobre qual tipo de paciente se beneficia, qual dose é necessária e por quanto tempo o tratamento deve ser mantido. Há também discussões éticas importantes, como o risco de medicalizar comportamentos que poderiam ser manejados com mudanças de rotina, apoio psicológico e políticas públicas de redução de danos.

Enquanto o debate avança, especialistas recomendam cautela: os remédios GLP‑1 seguem sendo ferramentas relevantes para obesidade e diabetes, e o possível papel no combate aos vícios ainda está sendo construído. O cenário aponta para uma combinação de abordagens, em que a medicação, quando indicada, atua ao lado de terapias comportamentais, apoio familiar e estratégias de cuidado contínuo.

Giro 10
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