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O "vilão" que protege você: entenda a função da cera de ouvido e por que ela não deve ser removida com cotonete

Cera de ouvido protege, lubrifica e se autolimpa: entenda por que cotonetes fazem mal e quando buscar remoção profissional segura

26 abr 2026 - 16h03
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A rotina de higiene pessoal costuma incluir o cuidado com os ouvidos, mas muitos hábitos populares não acompanham o que a ciência sabe hoje sobre a cera de ouvido. O cerume, muitas vezes visto como sinal de falta de limpeza, na verdade é um dos sistemas de defesa mais eficientes e discretos do corpo humano. Ele protege, impermeabiliza e ajuda a manter o canal auditivo em equilíbrio, atuando como um verdadeiro "filtro" biológico.

Ao olhar de fora, pode parecer apenas um resíduo amarelado ou escuro. No entanto, essa substância é resultado de uma combinação precisa de secreções produzidas por glândulas específicas da pele do conduto auditivo, misturadas com células mortas e pequenos fragmentos de sujeira que entram no ouvido. O objetivo principal não é acumular, mas funcionar como barreira protetora temporária, sendo continuamente renovada e transportada para fora pelo próprio organismo.

O que é a cera de ouvido e qual sua função protetora?

Ela é produzida por glândulas ceruminosas e sebáceas localizadas no terço externo do canal auditivo. Essas glândulas liberam uma mistura de lipídios, proteínas e substâncias com ação bactericida e fungicida, capazes de inibir a proliferação de micro-organismos que entram em contato com o ouvido.

Além da função antimicrobiana, o cerume age como um impermeabilizante natural. Sua composição oleosa cria uma película que impede a penetração excessiva de água no canal auditivo, reduzindo o risco de infecções como a otite externa. Outro aspecto importante é o papel de "cola seletiva": poeira, partículas do ar e pequenos insetos tendem a ficar presos na cera, evitando que atinjam diretamente o tímpano e estruturas mais internas.

O ouvido tem um sistema próprio de limpeza — mexer demais pode causar mais problemas do que solução – depositphotos.com / Ap4iwka1
O ouvido tem um sistema próprio de limpeza — mexer demais pode causar mais problemas do que solução – depositphotos.com / Ap4iwka1
Foto: Giro 10

Cera de ouvido é sujeira ou sistema de autolimpeza do corpo?

Do ponto de vista anatômico, o ouvido apresenta um mecanismo chamado migração epitelial, muitas vezes descrito como um processo de "autolimpeza". As células da pele que revestem o conduto auditivo se renovam continuamente, deslocando-se, ao longo de semanas, da região próxima ao tímpano em direção à saída do canal. Ao se moverem, carregam consigo o cerume e os resíduos presos nele.

Esse deslocamento é tão organizado que já foi comparado a uma esteira rolante microscópica. Pequenos movimentos da mandíbula, como falar e mastigar, contribuem para esse transporte, ajudando a empurrar a cera em direção à parte externa. Por isso, em pessoas com anatomia do canal auditivo preservada, a cera de ouvido tende a sair sozinha, sem necessidade de intervenções com objetos.

Vale destacar que a aparência da cera pode variar entre indivíduos e até ao longo da vida, indo de mais seca e esbranquiçada a mais úmida e amarronzada. Essas diferenças estão ligadas a fatores genéticos e não representam, por si só, falta de higiene. A retirada completa do cerume, inclusive, pode prejudicar a proteção natural da pele do canal auditivo e favorecer irritações e infecções.

Por que o uso de hastes flexíveis é prejudicial para o ouvido?

Apesar de muito difundidas, as hastes flexíveis não foram desenhadas para uso dentro do canal auditivo. Quando a ponta de algodão é introduzida no conduto, a tendência física é empurrar o cerume para dentro, em direção ao tímpano, em vez de removê-lo. Esse movimento pode levar à compactação da cera, formando um tampão sólido encostado na membrana timpânica, o que reduz a ventilação e pode provocar sensação de ouvido tampado e queda temporária de audição.

Outro problema é o risco de microlesões na pele que reveste o canal auditivo. Essa pele é fina, pouco acolchoada e muito próxima do osso. Qualquer fricção repetida com a haste pode causar pequenas fissuras, abrasões ou inflamações. Essas lesões microscópicas tornam a região mais vulnerável à entrada de bactérias e fungos, favorecendo quadros de otite externa dolorosa.

Há ainda a possibilidade de perfuração do tímpano, principalmente em crianças, pessoas com coceira recorrente no ouvido ou em situações de movimentos bruscos durante o uso da haste. Nessas condições, um gesto aparentemente simples pode gerar danos importantes, com dor aguda, sangramento e, em alguns casos, comprometimento auditivo temporário ou prolongado.

Hastes flexíveis não limpam: podem empurrar o cerume para dentro e prejudicar a saúde auditiva – depositphotos.com / Ap4iwka1
Hastes flexíveis não limpam: podem empurrar o cerume para dentro e prejudicar a saúde auditiva – depositphotos.com / Ap4iwka1
Foto: Giro 10

Como higienizar o ouvido de forma segura no dia a dia?

Os especialistas em otorrinolaringologia costumam reforçar que a limpeza de rotina deve limitar-se à orelha externa, região que inclui a parte visível do pavilhão auricular (hélice, lóbulo, concha) e a entrada do canal, sem introduzir objetos. A regra prática frequentemente utilizada é que nada mais fino do que o próprio dedo deve ser colocado dentro do ouvido.

Algumas medidas simples de higiene segura incluem:

  • Limpar apenas a parte de fora da orelha com toalha ou pano limpo e macio, levemente umedecido, após o banho.
  • Secar delicadamente a região externa, sem esfregar com força e sem tentar alcançar o interior do canal auditivo.
  • Evitar o uso de objetos como grampos, tampas de caneta, chaves ou hastes flexíveis para "coçar" ou "desentupir" o ouvido.
  • Observar sinais como dor, coceira intensa, secreção com mau cheiro, zumbido ou sensação persistente de ouvido tapado.

Em situações de acúmulo excessivo de cerume, sensação contínua de bloqueio, uso de aparelhos auditivos, histórico de cirurgias de ouvido ou infecções frequentes, a orientação é procurar avaliação de um profissional habilitado. A remoção profissional da cera de ouvido pode ser feita por aspiração, curetagem ou lavagem controlada, com equipamentos apropriados e visualização direta do canal e do tímpano, reduzindo riscos.

Compreender o cerume como aliado, e não como inimigo, ajuda a ajustar hábitos de higiene mais condizentes com a anatomia e a fisiologia do ouvido humano. Ao respeitar o mecanismo natural de autolimpeza e limitar a intervenção à parte externa da orelha, é possível preservar a proteção, o conforto e a saúde auditiva ao longo da vida.

Giro 10
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