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O surpreendente benefício da cerveja para a saúde

A cerveja fornece 'níveis substanciais' de vitamina B6 na dieta, segundo nova pesquisa.

24 abr 2026 - 09h13
(atualizado às 09h54)
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A cerveja fornece "níveis substanciais" de vitamina B6 na dieta, segundo nova pesquisa
A cerveja fornece "níveis substanciais" de vitamina B6 na dieta, segundo nova pesquisa
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Beber um copo de cerveja ocasionalmente pode fornecer "quantidades substanciais" de uma vitamina essencial para o bom funcionamento do cérebro, afirma uma pesquisa recente publicada em uma revista científica conceituada.

A vitamina B6 é benéfica para o cérebro, o sangue e o sistema imunológico e está presente em uma grande variedade de alimentos.

A depender do tipo de cerveja, um copo de 500 ml pode suprir cerca de 15% da sua necessidade diária de vitamina B6, segundo os pesquisadores da Universidade de Munique (Alemanha) responsáveis pelo estudo publicado pelo Journal of Agricultural and Food Chemistry, da Sociedade Química Americana. Até uma cerveja sem álcool lager (tipo mais comum, de fermentação em baixas temperaturas) pode ter o mesmo efeito, afirma o estudo.

Muitos dos ingredientes usados na produção de cerveja, como cevada, trigo e levedura, contêm vitamina B6 e, segundo esse estudo, o processo de fermentação não elimina completamente esse nutriente.

A vitamina B6 é um nutriente essencial obtido por meio da alimentação. Boas fontes de B6 incluem carnes e peixes, mas ela também está presente em outros alimentos, como aveia, batata e grão-de-bico. Muitos cereais matinais também são enriquecidos com B6.

A deficiência de vitamina B6 é rara, embora os níveis possam, por vezes, estar baixos, frequentemente associados à falta de outras vitaminas do complexo B, como a B12, o que pode causar sintomas como cansaço e náusea.

O estudo analisou 65 tipos de cerveja vendidos em supermercados locais na Alemanha e encontrou diferenças no teor de vitamina B6 entre elas:

  • As cervejas do tipo bock — mais encorpadas e geralmente mais alcoólicas — apresentaram o maior teor de vitamina B6, seguidas pelas lagers (as mais comuns), pelas versões escuras e pelas cervejas de trigo
  • Na outra ponta, as cervejas feitas com arroz tiveram o menor teor de vitamina B6
  • Entre as versões sem álcool, aquelas que passam por fermentação completa e depois têm o álcool retirado concentraram mais vitamina B6 do que as produzidas com leveduras que já geram pouco álcool
  • Segundo os pesquisadores, uma lager média pode fornecer cerca de 20% da ingestão diária recomendada de vitamina B6
  • Uma das cervejas lagers sem álcool testadas forneceu quase 59%

Segundo o NHS, o sistema público de saúde do Reino Unido, os homens precisam de cerca de 1,4 mg de vitamina B6 por dia, e as mulheres, de 1,2 mg. O estudo sugere que 1 litro de cerveja pode conter entre 0,3 mg e 1 mg da vitamina.

Se o consumo ficar dentro dos limites recomendados de ingestão de álcool, a quantidade não atende aos critérios para ser destacada no rótulo da garrafa como fonte de vitaminas, mas continua sendo uma presença mensurável, afirma Michael Rychlik, um dos autores do estudo.

Segundo Rychlik, os resultados são úteis "apenas para consumidores que desejam otimizar a ingestão de vitaminas".

As cervejas do tipo bock, tradicionais na Alemanha, apresentaram os níveis mais altos de B6 entre todas as cervejas analisadas, em parte por terem maior teor alcoólico, geralmente a partir de 6,5%.

Bridget Benelam, da Fundação Britânica de Nutrição, afirma que níveis baixos de vitamina B6 são raros porque a vitamina está presente em muitos alimentos.

"Não recomendamos que a cerveja ou qualquer bebida alcoólica seja vista como uma fonte principal de nutrientes. Isso deve vir da alimentação", diz.

"A menos que a pessoa siga uma dieta muito restrita, é improvável que você não esteja consumindo vitamina B6 em quantidade suficiente."

Segundo Benelam, pessoas com outros problemas de saúde, como alcoolismo ou doença renal crônica, podem enfrentar dificuldades nesse sentido.

Ela recomenda focar em outras vitaminas importantes do complexo B, como a B12 e a riboflavina, também conhecida como vitamina B2, geralmente encontradas em laticínios e alimentos de origem animal.

"Elas têm papel no metabolismo e na liberação de energia", explica.

A especialista aconselha pessoas veganas a escolherem substitutos de leite e iogurte enriquecidos para absorver mais essas vitaminas.

Os malefícios do álcool

A Organização Mundial da Saúde (OMS), porém, considera que não há nível seguro para a saúde no consumo de álcool.

Segundo um relatório divulgado pela organização hpa cerca de dois anos, o consumo de álcool contribuiu em 2019 para 2,6 milhões de mortes em todo o mundo.

Dessas, estima-se que 1,6 milhão de óbitos foram por doenças não transmissíveis, incluindo 474.000 mortes por doenças cardiovasculares e 401.000 por câncer. Cerca de 724.000 mortes foram devido a ferimentos, como acidentes de trânsito, automutilação e violência.

Outros 284.000 óbitos foram relacionados a doenças transmissíveis — por exemplo, já foi provado que o consumo de álcool aumenta o risco de transmissão do HIV através de sexo desprotegido e também o risco de infecção por tuberculose, ao suprimir algumas reações do sistema imunológico.

O álcool causa ainda pelo menos sete tipos de câncer, incluindo de intestino e mama.

Pessoas brindam com copos de cerveja
Pessoas brindam com copos de cerveja
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Uma análise feita pela OMS descobriu que até mesmo o consumo leve e moderado de álcool, definido como menos de 1,5 litro de vinho, menos de 3,5 litros de cerveja ou menos de 450 mililitros de destilados por semana, é perigoso.

Segundo a OMS, não há uma quantidade segura e que o "risco para a saúde de quem bebe começa na primeira gota de qualquer bebida alcoólica".

Especialistas alertam ainda para o efeito neurotóxico do consumo de álcool.

Estudos neuropsicológicos e de neuroimagem mostram que três redes neurais são particularmente vulneráveis: a rede frontocerebelar, que controla o equilíbrio; o frontolímbico, envolvido na memória, na motivação e na autoconsciência; e o frontoestriado, responsável pela regulação emocional, inibição, flexibilidade cognitiva e gerenciamento de recompensas.

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