Epidemia de sífilis: o que a boca tem a ver com isso?

Doença pode se manifestar em forma de úlceras, áreas esbranquiçadas e até causar perfurações na cavidade oral

Se você sabe que a sífilis é uma doença sexualmente transmissível, deve estar se perguntando o que esse tema tem a ver com saúde bucal, certo? Mas a gente responde: tudo, por que a boca é utilizada para fazer sexo e, inclusive, alguns estudos apontam que o oral é o segundo tipo de sexo mais praticado no mundo. 

Todo ano existe uma perspectiva de 937 mil novos casos da doença no Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS)
Todo ano existe uma perspectiva de 937 mil novos casos da doença no Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS)
Foto: Subbotina Anna / Shutterstock

E o assunto fica ainda mais sério quando temos acesso aos dados do Ministério da Saúde que dizem que estamos vivendo uma epidemia de sífilis no país, com um aumento de 32,7% dos casos entre os anos de 2014 e 2015. Essa informação é muito grave uma vez que, todo ano, existe uma perspectiva de 937 mil novos casos da doença no Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Para Kaue Campos Pavanello, cirurgião-dentista e diretor clínico da Omne Odontologia Integrada, o motivo para o aumento desses números é que os jovens têm feito sexo cada vez mais jovens, com mais parceiros e com menos proteção. 

Sífilis e a boca
A sífilis é uma doença bacteriana que ataca principalmente os órgãos genitais, mas que também pode causar sérias lesões orais. Segundo o especialista, existem duas maneiras para a contaminação da doença. 

“Uma é através do contato entre a cavidade oral e a área infectada, ou seja, contato direto sobre a lesão causada pela bactéria, e a outra é através da infecção pela mãe durante o período de gestação”, diz o especialista. 

Estágios
Existem 3 estágios da doença. Na sífilis primária é possível observar, na maioria das vezes, o desenvolvimento de uma única ulcera indolor chamada de cancro. “Essa lesão aparece na região onde houve o contato, sendo mais comum na língua e no céu da boca. Normalmente a sífilis primária acontece de 3 a 90 dias após a infecção. Quando a doença não é tratada evolui para a sífilis secundária”, diz o especialista. 

Na sífilis secundária é comum aparecerem manchas esbranquiçadas na boca. Neste estágio lesões múltiplas (com uma aparência verrucosa) são mais comuns. “Acompanhando essas lesões, o paciente pode relatar sintomas como dor de garganta, inchaço nos linfonodos, dor de cabeça, perda de peso, febre e dores musculares. Este estágio da doença pode acontecer entre 4 e 10 semanas em conjunto com a fase final do cancro”, diz Kaue. 

Após o segundo estágio o paciente entra na fase da sífilis terciária ou latente. No início dela, os sintomas são brandos ou inexistentes e este período pode durar de 1 a 30 anos. 

“Passado este intervalo, inicia-se a fase mais grave e crítica da doença. Na boca, aparecem áreas inchadas e endurecidas que pode destruir os tecidos causando perfurações. Se essa área for localizada no céu da boca, ela pode causar uma comunicação da cavidade oral com o nariz ou ainda causar perda de tecido se atingir a língua”, diz o especialista. 

Transmissão
A bactéria que transmite a sífilis precisa de um local úmido para sobreviver, portanto talheres depois de limpos e secos dificilmente transmitiram a doença. “Por outro lado, escovas de dente podem ter o potencial de transmitir a doença desde que sejam compartilhados em pouquíssimo tempo para manter as bactérias viáveis para realizar a infecção”, diz o especialista. 

Cuidados
Como já foi dito, a principal forma de infecção é o contato direto com a lesão causada pela bactéria. Por isso o sexo oral sem preservativo pode ser tão perigoso. Mas não é só ele. 

“As duas primeiras fases da doença produzem ulceras extremamente infectadas, portanto são as fases de maior risco de contágio. A última fase da doença apresenta menor risco” diz o especialista. 
 
Por tudo isso que foi dito, aqui fica nossa dica: use preservativos, tanto masculino quanto feminino. “Outra dica importante é a limpeza da região após o sexo, seja genital, anal ou oral. Lave bem as áreas com água e sabão e no caso da boca escove os dentes, higienize a língua e as áreas de tecido mole com um pano limpo ou gaze úmida. Pode-se também usar enxaguatórios bucais para minimizar o risco de contrair a doença”, diz Kaue. 
 
E, ao menor sinal de anomalias ou feridas estranhas ou que não cicatrizam a mais de 15 dias, procure um estomatologista!

 

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